Texto: Lourenço Mussango


 

Entre spoken word e canções Bantu, cantadas em umbundu, realizou-se na noite de terça-feira, 18, no restaurante ‘MySpace’, junto ao CEFOJOR, o ‘Artes ao Vivo Especial 13 Anos’ com vários artistas, ao som de Ndaka Yo Wini e sua banda.

Ao som da viola tocada por Bona Ska, Lukeny Bamba Fortunato deu voz à palavra e começou por agradecer a todos os fazedores e apreciadores das artes que durante estes 13 anos apoiaram todos os eventos de microfone aberto e fizeram do ‘Artes ao Vivo’ um palco de referência da cultura nacional. “Celebrar antecipadamente os 13 anos de existência do Artes ao Vivo é muito gratificante.” acrescentou.

Depois da jovem intérprete Ana Jorge cantar, Lukeny Bamba concedeu a palavra ao actor angolano Miguel Hurst a fim deste falar sobre os apoios que o ‘Goethe Institut’ vem prestando ao ‘Artes ao Vivo’ enquanto parceiros na arte. Miguel Hurst começou por felicitar o ‘Artes ao Vivo’ pelos 13 cacimbos  e finalizou considerando que “o Artes ao Vivo é um projecto sério, astuto e passível de ser apoiado”, referiu acrescentando ser “preciso consciencializarmos-nos que a arte acontece com vontade de quem a faz e de quem a quer fazer.”

A poetisa Azul Fénix declamou o poema intitulado ‘Medo de’ pela primeira vez. Bona Ska recitou o título ‘Paludismo Social’ ao som da viola tocada por Cyrius. Cyrius não se fez silenciar e encantou os presentes apresentando dois temas musicais. Lukeny Bamba retomou a palavra e agradeceu os gestores do restaurante ‘MySpace’ pelo espaço cedido para a realização do evento todas as terças-feiras. Fez a resenha sobre a trajectória do ‘Artes ao Vivo’ nos seus 13 anos de existência, falou dos eventos realizados no ‘Cenarius’, ‘Celamar’, ‘Espaço Bahia’, ‘Buraco da Floresta’, ‘Restaurante Kalumbitas’ e agora no MySpace. “Quero aqui agradecer a Alexandra Maria, o Victor de Barros, o Emerson Lívio e o Bona Ska por serem os pilares do Artes ao Vivo e pelo apoio que têm dado para que a coisa aconteça.” Concluiu.

António Paciência também subiu ao palco e declamou o poema ‘Se não fosse por ela eu não perderia meu tempo para falar sobre isso’. O poeta Sábio Louco, a seu jeito, pincelou um poema com pendor interventivo, mas antes foi claro em dizer: “Sou o Sábio Louco, a marca da poesia alternativa em Angola.”

Como era dia de festa, Lukeny Bamba e Miguel Hurst fizeram questão de informar aos presentes de que o projecto de gravação de poesias em disco vai conhecer a sua segunda fase de selecção e captaçao de novos poemas. O ‘Projecto Kussunguila’ está a ser levado a cabo pelo Artes ao Vivo e o ‘Goethe Institut’ e visa legar para posteridade aquilo que bom está a ser declamado hoje pelos poetas dos movimentos Lev’Arte, Berço Literário e não só.

Ndaka Yo Wini depois de felicitar os anos do evento e afirmar que naquele palco já saíram grandes artistas, sob o som da viola, do baixo e do batuque, emergiu o folclórico e os presentes puderam viajar no embalo das músicas que de sua boca pintam a angolanidade e reiteram a nossa idiossincrasia. E num umbundu límpido ‘enamorado’ por sons onomatopaicos, Ndaka Yo Wini levou o público ao contacto milenar de quem é.