Texto: Helga Piçarra

Não é segredo que o continente africano tem sido uma ‘’vítima” do mundo. Desde a ‘’suposta” Era dos Descobrimentos, à escravatura, à colonização de territórios, etc. No entanto, a chegada do século XX é marcada como uma época de luta e esperança para os africanos. Depois de sofrer duas guerras, a Europa enfraquecida, não vê outra saída senão conceder a independência a África. Primeiro a Inglaterra, França, Bélgica e por fim, em meados da década de 70, Portugal ‘’larga” as mãos dos seus filhos ultramarinos.

Sob um regime militar fascista, Portugal era a única potência europeia que insistia em manter colónias em África. Tal atitude fez com que a revolta crescesse entre os milhares de angolanos. Assim sendo grupos que fomentavam a descolonização foram criados com a intenção de expulsar o governo português de território nacional. A UPNA (União dos Povos do Norte de Angola) – foi o primeiro movimento a ganhar corpo, em 1954. Anos mais tarde o nome desde movimento passa a ser UPA (União dos Povos de Angola), e depois FNLA (Frente Nacional Para a Libertação de Angola) como é conhecida até hoje. O MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) foi fundado no fim da década de 50. E por último a UNITA (União Nacional Para a Independência Total de Angola), nasceu em 1966 (depois do 4 de Fevereiro).

4-fevereiro

Estes movimentos de libertação nacional reclamavam a emancipação dos angolanos, salientado a necessidade de acabar com o colonialismo, promover igualdade social em todos os termos e deixar Angola- e África- caminhar com as suas próprias pernas. Na altura, a literatura e a música foram métodos eficazes para que estes ideias se espalhassem. Ao passo que, face a esta rápida propagação de ideias, o governo português na altura, respondia com violência, alegando Crimes Contra a Segurança do Estado.

Em 1958 na província de Luanda, com a criação de grupos clandestinos nos subúrbios e nas zonas urbanas, com a direção de Paiva Domingos da Silva, Imperial Santana, Virgílio Sotto Mayor e Neves Bendinha; começava então o planeamento das acções que iriam decorrer neste dia.

Assim, na madrugada de dia 4 de Fevereiro de 1961, um grupo de homens e mulheres munidos de facas, catanas e outras armas brancas; sai às ruas, com rumo às principais cadeias de Luanda, com a intenção de libertar os seus compatriotas que se encontravam presos injustamente. Como resposta a esta atitude, o governo colonial inicia um período de retaliação, perseguindo envolvidos e inocentes; o que fez com que mais e mais angolanos se unissem aos movimentos de libertação e lutassem contra a colonização.

‘’Os Heróis de 4 de Fevereiro”, é assim que estes homens e mulheres são lembrados. Pessoas comuns, destemidas e desprevenidas, que apesar das circunstâncias lutaram contra um regime opressivo para alcançar a tão desejada liberdade.