Texto: Michel Candembo


A homosexualidade é ainda um tabu em certas esferas da sociedade angolana, sendo que para algumas famílias é difícil a aceitação de parentes que tenham preferência afectiva por pessoas do mesmo sexo. Trazemos a história de Ivanilson Antonelly, homossexual, que não teve muitos problemas de aceitação na família. Por outro lado, há um, à mostra da maioria dos casos, que sofreu preconceito no seio familiar.

O caso de Ivanilson, revela o próprio, não foi um bicho de sete cabeças uma vez que “nunca” escondeu a sua inclinação para brincadeiras tendencialmente femininas nem o seu interesse invulgar por vernizes, sapatos, cabelos, bolsas e acessórios de moda fabricados para mulheres. 

“A minha família respeita as minhas escolhas e não tive problemas em relação a isso”, garante. O maior problema no começo, disse, era a chacota na escola e na rua, “mas hoje ignoro e ando de cabeça erguida”, confia. 

Para os que ainda não se revelaram como realmente são, por medo de reacções negativas dos familiares e amigos, o jovem aconselha que “sejam felizes da maneira que acharem melhor e sinceros com as pessoas que os rodeiam. É o mais importante”, refere.

O cenário de aceitação e carinho não é observado, como se sabe, em muitas famílias. A JdB procurou saber de outros seios afectivos sobre a convivência com esta condição do descendente. É o caso de alguém que o chamamos de Manucho (nome fictício) figura que preferiu não revelar a identidade, contou o quão difícil foi a adaptação familiar à sua condição, revelando mesmo que chegou a ser expulso de casa e passou por maus bocados até os pais decidirem encarar o assunto de outra maneira. “Passei meses em casa de amigos e foi muito difícil para mim”, revela. “O meu pai colocou-me fora de casa apesar dos apelos da minha mãe e das minhas duas irmãs”. Manucho assume com orgulho que hoje tem a própria vida e tem “consciência tranquila” por já não ter nada a esconder de ninguém. “Quem gosta de mim deve me aceitar como sou”, apela.

Pela mudança drástica de conceitos entre a geração que viveu a juventude no período colonial e no socialismo monopartidário e a geração actual de jovens, é perceptível que haja dificuldade da parte de alguns pais, tios e avôs, de analisarem com a leveza e frieza necessárias o fenómeno do homossexualismo no seio familiar.

O aconselhável nestas situações, recomenda-se, é optar pela via do diálogo, pois a realidade que acompanhamos através das rádios e televisões dá-nos a perceber que a intolerância não é o melhor caminho a seguir, uma vez que pode conduzir a outros actos extremos como agressão física, violação dos direitos da criança, violação da liberdade de escolha de cada cidadão, que em Angola são constitucionalmente protegidos.