Por: Michel Candembo


No pretérito dia 26 de Setembro, o general na reserva e então ministro da Defesa, João Manuel Gonçalves Lourenço, foi empossado para o cargo de Presidente da República de Angola, tornando-se no 3º cidadão a exercer a função.

Apesar de os eleitores, grosso modo, terem dado um verdadeiro show de civismo e cidadania, diferente no que acontece repetidas vezes no nosso continente, os partidos políticos entraram nas suas habituais alterações e apuros e outros deslizes que apenas servem para aumentar o nosso (nós, a população) crescente descrédito pelos mesmos. 

A juventude representa a maior massa demográfica em Angola e, diferente das gerações anteriores, a chegada das novas tecnologias de informação permite-nos ver as coisas de maneira mais periférica, exigindo mais daqueles que nos representam enquanto situação.

Quando pagamos os impostos, saímos de casa para votar, é normal que exijamos mais daqueles a quem depositamos confiança e, se vemos as nossas expectativas frustradas perdemos gradualmente o interesse, ainda mais se admitirmos que toda e qualquer mudança política não fará diferença no nosso modo de vida.

O maior exemplo deste fenómeno é o nível crescente de abstenção que este ano rondou os 23% entre os cidadãos registados, sendo que nas eleições de 1992, houve um nível de afluência às urnas impressionante 90%. O gráfico declara decadência ao longo dos anos. 

O fenómeno da abstenção não é, na minha opinião, um factor relacionado apenas à falta de instrução académica de boa parte da população, nem mesmo à presumida estabilidade daqueles que acham ser indiferente para as suas vidas uma eventual mudança.

Em tertúlias e pequenos debates nos mais variados fóruns juvenis, a ideia que se tem é que a juventude perdeu as esperanças nos políticos e sobretudo a confiança nas instituições do Estado. As últimas exonerações, discursos e nomeações parecem ter sido exactamente uma leitura e consequente resposta a este descontentamento generalizado. 

Os mais sépticos dizem que o cenário político actual é nada mais do que uma estratégia arquitectada entre os ‘caciques’ do poder para impedir a queda livre da popularidade do governo e aumentar os níveis de aceitação do novo timoneiro. É uma hipótese a ter em conta, porém não deixa de ser uma medida que, de certo modo, demonstra que a população está, aos poucos, a voltar a ser tida e achada nas decisões de nível superior.

Para os descontentes que têm ainda resistência às mudanças, pedimos (permitam-me expressar em nome da juventude) que avaliem o nível da tão discutida confiança nas instituições que nos governam, que em tão pouco tempo dá sinais de ter aumentado consideravelmente. 

É hora de mudar e entender os nossos sinais, respeitar as nossas vontades!