Por: Albino Tchilanda


Jovens de Luanda e do Bengo, amantes do futebol, desabafaram esta semana à JdB identificando vários problemas apontando soluções no futebol angolano. “Há tantas nacionalidades nos treinadores de base, que vêm com filosofias de jogo diferentes. Os jogadores na selecção angolana de Futebol jogam todos atrapalhados. Não conseguem se comunicar”, comentaram os adeptos, dentre sugestões e críticas, na sequência dos maus resultados da selecção nacional nas últimas semanas, sobretudo das 10 derrotas em menos de um mês.

Os desabafos surgem depois das sequências de derrotas que a selecção angolana de futebol vem sofrendo a todos os níveis  nesses últimos dias.

Os entrevistados pediram aos dirigentes desportivos para não se enganarem, porque a única pessoa que tentou revolucionar o futebol angolano foi o malogrado cabo-verdiano  Carlos Alinho, nos anos 90, e não o técnico Oliveira Gonçalves porque, segundo entendem, este já tinha encontrado tudo organizado.

Consideram ainda que é fruto do trabalho do técnico cabo-verdiano  que a selecção conseguiu apurar-se para o Mundial de 2006, na  Alemanha.

Para os jovens, as derrotas constantes que a selecção angolana de futebol tem sofrido não só envergonham o país como também mostram o nível de desorganização da Federação Angolana de Futebol (FAF).

Só no final do mês passado e no principio deste mês as selecções angolana sofreram mais de 10 derrotas consecutivas, sendo a mais recente com a equipa de honra por 3-1 diante da selecção burquinabe , no último sábado, jogo a contar para a primeira mão da fase eliminatória para o apuramento do CAN 2019, a ter lugar nos Camarões.

José Lourenço é um dos jovens entrevistados. O estudante universitário de 27 anos  e antigo praticante e amante do futebol, afirmou que os desportistas angolanos acabam por ser imediatistas, porque não há projecto sério para com o futebol angolano.

“Os dirigentes desportivos precisam investir mais na formação de base para que outros escalões possam beneficiar dos resultados”, realçou.

Quanto à escolha dos jogadores convocados para o plantel devia-se, segundo entendem, abandonar o velho hábito de pescar nas equipas do Petro ou do 1ºd´Agosto, pois, noutras províncias há jovens melhor e, uma vez convocados dariam uma outra dinâmica à selecção de honra.

“Há muitas equipas, que não são famosas, mas apresentam um bom plantel, como por, exemplo a Santa Rita, o Bravos do Maquis, apontou o jovem Manuel de Almeida, que vive no Bengo.

Entretanto, os jovens acreditam que daqui a 10 anos a selecção poderá melhorar, por causa da AFA , Academia de Futebol de Angola e do  1º d´Agosto,  que têm feito um trabalho e aceitaram investir na formação de base, mas advertem o risco de daqui a 10, 20 anos constituir-se um plantel só com os jogadores da equipa militar por isso outras equipas, como a do Petro de Luanda, Recreativo do Libolo,  Inter Club, Progresso Associativo do Sambizanga a abandonarem o imediatismo e investir seriamente nos iniciados.

A questão da transparência nos contratos é outro problema que preocupa os amantes do futebol, aparentemente desiludido com o desporto nacional, José lamentou o facto de a maioria dos jogadores angolanos, mesmo os seniores, estarem a jogar sem sequer assinar qualquer contrato.

“Nunca se sabe quanto custa a transferência de um jogador. O jogador sai do Sagrada para o D´Agosto, mas nunca se revela quanto se pagou. Depois de tantos anos de formação em futebol, o pupilo acaba nos bairros”, sorriu motejando.

As más condições dos campos de treinos e os horários que, muitas vezes, não permitem os pupilos frequentar a escola, acabando por comprometer a vida no pós carreira desportiva, também os preocupam .”Os juniores só treinam depois dos juvenis e estes, depois dos iniciados ou infantis”, queixaram-se.

“São poucas as equipas da Primeira Divisão que têm campos de treinos. Só as do 1º d´Agosto, Progresso do Sambizanga, Interclub, Petro de Luanda, Benfica de Luanda e Acadêmica do Lobito. Vê só, são seis”, exclamou José. “Porque há jogadores que só vestem a camisola da Selecção no dia do jogo, atletas que nunca tinham entrado em contacto Angola. Noutras selecções, os treinadores são obrigados a conhecer o país. Por exemplo, em Portugal, Emílio Peixe da selecção sub 20 tem a carreira em Portugal, CR7 e companhia”

Aquando do fracasso da selecção sub 17, o técnico Languinha Simão justificou a falta de condições financeiras como a principal causa de todas as derrotas da equipa.