Rufino F. António era um menino de apenas 14 anos de idade, que foi morto a tiro (6 de Agosto), no Zango 2, bairro Walele por agentes do Posto de Comando Unificado que é a unidade responsável pela demolição de casas naquela zona. 

O caso verificou-se no último Sábado, 5 de Agosto, por volta das 17:30. Testemunhas relatam que Rufino, tentando defender a casa dos seus pais questionou os agentes de segurança para onde iria viver com a sua família visto que a sua residência seria igualmente demolida. Provavelmente, os agentes não gostaram da ousadia do menino corajoso e dispararam contra o pequeno Rufino, atingindo-o mortalmente na cabeça.

“Depois de dispararem contra o miúdo, dispersaram e depois voltaram ao local de onde levaram o corpo do rapaz para parte incerta. A informação que tivemos na comunidade é que o rapaz questionou onde podia viver enquanto as casas estavam a ser demolidas e de repente apareceu um militar que disparou directamente na cabeça do menino”, relata Rafael Morais, coordenador da SOS Habitat Acção Solidária, em entrevista ao portal Rede Angola.

A família, logo de seguida pôs-se a procura do cadáver, quando no Domingo foi-lhes finalmente informado pela Unidade da Polícia que o corpo encontrava-se na morgue de um hospital para se onde deslocaram imediatamente e encontraram o cadáver.

Num vídeo que circula nas redes sociais é possível ver Rufino estendido no chão, sangrando e presumivelmente já sem vida. Ainda assim, ouviam-se vários tiros efectuados pelos mesmos agentes que assassinaram o pequeno Rufino, assustando alguns moradores que tentavam perceber o ocorrido.

Neste momento a família de Rufino António, clama por justiça para que os responsáveis possam ser penalizados. O tenente-general Simão Carlitos Wala, que é o comandante da PCU, já se pronunciou, lamentando o sucedido e garantiu que já estão a ser feitas investigações para se apurar o que realmente aconteceu.

Hamilton de Lemos, Director do gabinete jurídico da administração municipal de Viana, disse aos microfones da RNA que o processo de demolição de casas em curso nas zonas do Zango II e III é legal, e que afecta apenas obras recentes erguidas em reservas fundiárias do Estado. O mesmo revelou que a zona económica está a demolir somente obras novas, erguidas de forma arbitrária. “As obras antigas, aquelas que estão no cadastro da zona económica, que são os bairros antigos que lá já existiam, estão devidamente preservadas e a seu tempo serão indemnizadas”.

As demolições de mais de 600 residências estão a ser levadas a cabo desde a semana passada, a pedido da Zona Económica Especial, que alegadamente viu o seu perímetro a ser invadido pelas autoridades pelas novas construções.

Contudo, as reacções nas redes sociais já se fizeram sentir e os internautas mostraram-se extremamente indignados com o sucedido, exigindo a quem de direito que puna os responsáveis por este crime bárbaro. 

 

Rufino

Fontes: A VOA e Angonotícias