Por: Adalmira Ekuikui

Imagens: Céus Alexandre


Jennifer Isabel, Izanu Vicente, Elizandro dos Santos e Aminete Boaventura são estudantes da escola ‘São José de Cluny’, em Luanda, os meninos de 15 anos engajam-se na procura de propriedades nutritivas em algumas frutas típicas de Angola pouco consumidas ou exploradas, como o Loengo e Ginguenga. Com base nas experiências químicas obtidas, foi possível identificar frutas que possuem um alto ou baixo teor de vitamina C que ajudam a amenizar e a tratar determinadas doenças.

Em entrevista  JdB, Jennifer Isabel e Izanu Vicente explicaram que o projecto faz parte de uma ideia colectiva, cujo principal ponto de partida foi pensar numa iniciativa que abrangesse várias pessoas, “pensamos o que é que nós podemos fazer para melhorar o nosso País e esse foi o nosso ponto de partida”, contou Izanu, que pretende fazer uma formação superior e mestrado em Direito. O projecto, segundo o mesmo, “consiste na procura de propriedades nutritivas em algumas frutas típicas de Angola que não são muito estudadas”.

Destacaram que trabalham com frutos como o Loengo, a Ginguenga e o Maboque, “utilizamos uma experiência para identificar algumas vitaminas nessas frutas, uma experiência química não laboratorial, mas com métodos caseiros e partir dessa experiência conseguimos ver qual é a fruta que possui um alto teor ou baixo de vitamina C que já é um ponto de partida”, referem, se tem vitamina C ela pode ajudar a amenizar várias doenças”, diz.

Os alunos do curso de Económicas e Jurídicas e Físicas e Biológicas, de 15 anos de idade, manifestaram também seus sonhos, Jennifer pretende ser juíza e trabalhar com crianças desfavorecidas, “tenho o grande sonho de viver uns 3 anos no Malawi, só para poder ajudar as pessoas de lá, ou seja, quero muito trabalhar com crianças desfavorecidas, que padecem de doenças neurológicas, nomeadamente: o autismo, a síndrome de down, epilepsia, paralisia cerebral”.   

Segundo Jennifer, muitas das frutas silvestres de Angola pouco exploradas possuem propriedades que ajudam a curar várias doenças e fazer uma investigação com essas frutas acabou por constituir uma vantagem colectiva, “essas nossas frutas silvestres típicas de Angola, muitas vezes são a cura de muitas doenças. Nós fizemos o estudo, vou dar o exemplo da Múcua, que é uma fruta muito rica em vitamina C, há uma doença chamada Escorbuto e pessoas com essa doença carecem de vitamina C, deviam passar a utilizar sumos naturais de Múcua porque isso pode dar imunidade à doença”.

Além do Escorbuto, a Anemia Falciforme, a Paralisia Cerebral são doenças que originam da falta de vitamina C, cujo consumo constante dessas frutas pode fornecer imunidade ao organismo.

Os meninos pensam em fazer um estudo mais elaborado com meios adequados e suficientes, mas carecem de ajudas, com maior destaque para um laboratório, das principais dificuldades encontradas durante o projecto, Izanu aponta a “a falta de laboratório, porque esse método precisa de frutas com um grande suco, com muito suco, mas nós sabemos que o Loengo não possui muita polpa, por ser um fruto seco então é preciso que se desse a introdução do fruto a um laboratório para se utilizar outros métodos laboratoriais e fazer uma investigação porque a vitamina C é das mais fáceis a sua identificação, então queremos utilizar outros métodos para investigar também outras vitaminas”, finalizou.