Recentemente enquanto relia o livro “Adultério” do escritor Paulo Coelho vi-me a questionar o porquê das pessoas cometerem adultério. A parir do título do livro em já dá para perceber que retrata traição, na estória contada no livro, o adultério é cometido por uma mulher casada, mãe de filhos que está a passar por uma fase de incertezas na sua vida e no seu casamento e vê-se envolvida com um ex-namorado da época da adolescência, também casado.

Na realidade angolana, actualmente, o adultério tem-se feito muito presente, sendo que na maioria das vezes, esse infeliz acaso acontece com casais jovens, casados bem recentemente, não que isso seja algo novo, essa prática é decorrente desde a época dos nosso bisavós e dos avós deles; porém naquela época situações idênticas eram tratadas em quatro paredes e quase nunca as pessoas de fora apercebiam-se do sucedido, era quase que uma concordância ou algo normal. As nossas avós e mães concordavam em ser as segundas por vezes, sabendo que poderia haver uma terceira, situações desse tipo actualmente, são difíceis de encontrar.

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O princípio universal da conduta moral, diz que somos livres para escolher, mas depois somos responsáveis pelos resultados das nossas escolhas e isso é também aplicado ao adultério. O adultério diz que o homem é dirigido por fortes emoções físicas, impossíveis de controlar, já a lei de Deus ordena que não devemos cometer adultério. A tua escolha é obedecer à ordem Divina ou obedecer às tuas emoções físicas

Podemos por vezes nos perguntar o que leva alguém a cometer um adultério, na estória de Paulo Coelho, Linda, a mulher que comete o adultério, leva uma vida tranquila, porém, apesar de amar os filhos e o seu marido, sente-se incompleta e deprimida e sente o desejo de fazer algo diferente, experimentar algo novo, sair da rotina.

Ai é que começa tudo, a insatisfação ou a perda de interesse nas nossas vidas e até em relacionamentos muitas vezes, abre caminho para a tentação e aí vem a vontade de experimentar algo novo. A maioria das vezes, esse novo acarreta consequências imensuráveis quer seja na vida pessoal como profissional. Sortudos são os que com o tempo vêem que afinal tudo não passou apenas de ficção e conseguem correr atrás do prejuízo.

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Cada pessoa que comete adultério saberá sempre o porquê que o faz, ninguém o faz inconsequentemente. Várias são as causas por trás do mesmo, condições económicas quanto existem atritos dentro do relacionamento ou a nível sexual um dos parceiros não se sente satisfeito com o desempenho sexual do outro e vê no adultério uma forma de suprir a vontade carnal.

Não se pode ver o adultério como uma maneira de resolver problemas conjugais, uma vez que no adultério existe uma clara diferença entre amor e sexo, o que realmente existe é a necessidade de atender os próprios desejos enquanto precisamos manter o que a sociedade espera de nós e até mesmo a possibilidade de um relacionamento que fuja do padrão. Em alguns países, o adultério é considerado crime sendo a pena mínima o pagamento de uma multa e a pena maior levar atá à cadeia. Em Angola, o adultério ainda não é visto como um crime porém, o projecto de Lei de revisão do Código Penal Angolano prevê a inclusão do mesmo, com a pena prevista ao pagamento de uma multa num período de até 3 meses.

Muita coisa mudou e nos dias de hoje adulterar-se está a tornar-se algo banal, chega a ser até motivo de um status social. Os valores estão a ser invertidos e o que era realizado às escondidas e com medo das represálias passou a ser muito fácil de ser cometido, mas o pacote do adultério não vem com os efeitos colaterais descritos nas embalagens podendo ser bem mais dolorosos.