Texto: Jéssica dos Santos


Em África existe apenas um psiquiatra e um número semelhante de psicólogo para cada milhão de habitantes, refere a Organização Mundial da Saúde (OMS) a propósito da mensagem em torno do Dia Mundial da Saúde a celebrar-se esta sexta-feira, 7 de Abril. Em Angola responsáveis garantem melhorias em atendimento desses casos, já que neste momento conta com 40 unidades sanitárias com serviços de saúde mental.

A diretora regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, afirma que  a força laboral para a saúde mental, que inclui enfermeiros psiquiátricos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, “é manifestamente insuficiente” segundo foi citada na edição de hoje do Jornal de Angola.

A intervenção da responsável visa chamar a atenção para o peso que este problema mental representa no mundo.

A agência das Nações Unidas refere que a depressão é a principal causa de incapacidade no mundo e um dos factores que contribui para o fardo mundial de doenças. Atinge perto de 30 milhões de pessoas em África e 322 milhões no mundo.

A depressão afeta pessoas de todas as idades, de todos os quadrantes e em todos os países o estigma e o receio do isolamento social são obstáculos à procura de ajuda.

O simples facto de se falar sobre a depressão pode ajudar a preveni-la, através da eliminação do estigma. Procurar ajuda falando com pessoas de confiança pode ser um primeiro passo para a recuperação.

A detecção precoce dos sintomas é fundamental para evitar que a depressão se torne numa doença crónica.

A OMS define a depressão como uma doença caracterizada por tristeza persistente, perda de interesse e capacidade de realizar as tarefas do dia-a-dia durante mais de duas semanas. A doença está associada ao sentimento de culpa ou auto-estima baixa, perturbações no sono ou no apetite, cansaço e falta de concentração.

As principais causas da depressão incluem a perda de entes queridos, fim de um relacionamento, pobreza, desemprego, doença física, alcoolismo, toxicodependência e situações traumáticas, como violência e guerra.

Segue assim um apelo aos países para que apoiem os programas de saúde mental, afetando recursos humanos e financeiros adequados para dar resposta a este fardo crescente.

Apela-se igualmente aos Estados-membros que incluam a saúde mental nas suas agendas nacionais de desenvolvimento da saúde.

 Em Outubro último realizou-se em Luanda, um fórum de saúde mental, para promover informações relacionadas com o tema e garantir o acesso da população aos serviços da especialidade foram duas prioridades.

O diretor nacional de Saúde Publica, Miguel de Oliveira, garantiu que se alcançaram ganhos significativos nessa área, já que em 2013 havia apenas 10 unidades de referência no pais , que estavam associadas ao serviço de Psiquiatria e Psicologia e hoje já são 40 unidades sanitárias com serviços de saúde mental, que contam com equipas de médicos Psiquiatras e Psicólogos.