Adalmira Ekuikui


Padre Cláudio Tchiluka, vigário paroquial de ‘São Francisco de Assis’ e vigário Episcopal para Formação e Vocações, falou-nos do interesse dos jovens em seguir vocações, principalmente as vocações religiosas, destacando o dever dos profissionais em encarar suas actividades diárias como verdadeira disposição e serviço do próximo.

Para os jovens todas as vocações são nobres, e têm procurado seguir o chamado de Deus, partindo do pressuposto de que cada profissão em si carrega a sua nobreza.

Manuel Venâncio, por exemplo, de 22 anos, manifestou o interesse em abraçar a vida sacerdotal desde os 10 anos e conta que no início os pais mostraram-se contra a sua decisão porque para eles o desejo de ver o filho formado em engenharia era maior que qualquer outro, “os meus pais diziam que embora o sacerdócio fosse uma nobre missão que nos coloca directamente a serviço do próximo, aquilo que eles projectaram para mim vai muito além. Eles queriam que eu formasse uma família e tivesse uma profissão que lhes desse orgulho”.

Aos poucos foi perdendo o interesse de integrar a uma escola e receber uma formação vocacionada a vida sacerdotal mas reconhece que se tivesse feito teria a certeza de que abraçou directamente o chamado de Deus, “quando um dia Deus me conceder a honra de ser pai, quero poder aceitar as decisões deles como sendo minhas também e penso, se eu tivesse optado ou se a minha vontade permanecesse, tenho certeza que seria feliz na mesma. Para os jovens que abraçam as vocações sacerdotais vai o meu encorajamento para a continuação de um sonho que é antes de tudo deles e uma vontade do soberano Deus”.

O bispo da diocese de Ndalatando, Kwanza-Norte, Dom Almeida Canda, numa das suas homilias apelou aos cristãos para maior cuidado às vocações e para o incentivo da juventude a aderir à vida consagrada, a partir do seio familiar.  

Manifestou igualmente a sua gratidão a todos quantos têm dedicado o seu melhor entusiasmo à causa da anunciação do evangelho, tendo exortado aos jovens para que tenham o coração aberto e respondam ao chamamento de servir a igreja.

O prelado apelou aos sacerdotes e aos religiosos a viverem e actuarem de forma coerente com a sua opção vocacional e a serem testemunhas alegres e autênticas de Jesus Cristo ressuscitado, como “única esperança para o mundo”.

 Missão da Igreja

A igreja Católica tem uma comissão para a animação da pastoral vocacional, que visa orientar os jovens a discernir suas vocações religiosas ou socais. “É uma forma de a igreja preservar o seu papel como mãe e mestra”, explicou o padre Cláudio Tchiluka,

As vocações são, no seu entender, um dom de Deus, “é Deus quem chama, a princípio alguns quando descobrem que são chamados procuram não corresponder à chamada de Deus e muitas vezes existem alguns impasses por parte dos seus progenitores”, que, segundo refere, muitas vezes contrariam o desejo de os jovens realizarem aquilo que querem para si porque querem ter netos e vê-los casados, “não respeitam a ideia de que isso pode ser um chamamento de Deus”, observa. “A história da igreja nos mostra que muitos optaram por abandonar as suas casas a fim de realizarem as suas vocações”.

Existem casos em que os jovens primeiro optam por caminhos menos dignos, e depois se converterem. O vigário deu exemplo de Santo Agostinho que na sua juventude não mostrava qualquer interesse em se dedicar ao serviço religioso, mas com o tempo foi percebendo que o desejo de Deus para com a sua vida é maior que qualquer outra vontade pessoal e ofereceu de forma activa sua vida à igreja.

O matrimónio é uma das grandes vocações, diz o padre Cláudio, por isso apela a responsabilidade de todos os jovens que procuram abraçar a “nobre missão, “o matrimónio é uma grande vocação, aqueles que se propõem a viver em matrimónio, são chamados a serem colaboradores directos na ordem da criação portanto quando se abraça o matrimonio devemos ter mente que não é apenas uma realidade ilusória, é muito sério. Aqueles que despertam o interesse de viver em matrimónio, a igreja oferece uma preparação para os noivos por isso muito antes de irem a essa realidade, devem despertar as suas consciências do valor deste grande sacramento. Aqueles que passam pelo curso dos noivos, saboreiam melhor o momento”.

O balanço que faz do interesse dos jovens em abraçar as vocações é ainda “muito desanimador”, considera, principalmente pelo que se vai ouvindo nas ruas, “as pessoas acham que abraçamos o sacerdócio por frustração numa ou noutra área da vida e usamos este caminho para a fuga. Mas, apesar disso existem muitos jovens que abraçam verdadeiramente a vida religiosa”. Apela à responsabilidade dos jovens para decidirem dedicar-se à vida religiosa.

Terminou falando da importância de todas as profissões e da dimensão que cada uma delas tem na vida das pessoas, “As nossa profissões devem ser encaradas como grandes dons que pela graça recebemos de Deus, aquele que é chamado como profissional deve ter a consciência de que não é médico só para si”.