Por: Michel Candembo


O Jovem angolano Márcio Roberto, de 27 anos, vai lançar em Lisboa, a 24 de Junho, um livro que retrata os inventores de raça negra que marcaram a história mundial. Usando uma linguagem jovial e descontraída, o livro traz  histórias de quinze inventores negros e a importância das suas invenções, que perduram até os dias de hoje.

Márcio, que já escreve desde os 12 anos, decidiu relevar-se para o mundo enquanto autor, há apenas três anos, iniciando o processo que o levou a este que será o seu livro de estreia, e que, segundo nos disse, será o primeiro de muitos que pretende vir a lançar. Sobre o motivo pelo qual escolheu este tema, contou em primeira mão à Jovens da Banda que sendo angolano e por essa razão vivendo num país maioritariamente negro, achava estranho que nas televisões apenas tratassem de invenções feitas pelo homem branco, relegando a sua raça apenas a criação de danças e ritmos musicais. “Espero que esta obra ajude todos aqueles que um dia, assim como eu, interrogaram-se sobre o contributo das pessoas de cor negra no desenvolvimento  dos campos científico e social” revela, desejando ainda que as crianças e adolescentes “apreciem as histórias de vida dos inventores retratados no livro, de forma a perceberem que também eles podem ultrapassar as mais diversas barreiras e obstáculos para alcançarem seus sonhos”.

Licenciado em Relações internacionais e a caminho da segunda licenciatura em Gestão de Negócios pela Roehampton University de Londres, Márcio revelou que precisou de observar rigor na sua pesquisa, que consequentemente levou a que o livro demorasse algum tempo até ser concluído. “Tive algumas vezes de descolocar-me de Londres para locais onde pudesse obter informações credíveis sobre o que me propus a escrever” disse, “na verdade, o processo de investigação revelou-se num processo de aprendizagem, acabei por conhecer inventores incríveis como é o caso de Granville T. Woods, o homem que inventou o metro, utilizado hoje nas mais modernas cidades do mundo. E muito mais”, contou-nos com satisfação.

Questionado sobre se o facto de ser angolano a viver num país europeu não terá influenciado para que se aguçasse o seu interesse por este tema, concordou dizendo que “não só o facto de ser angolano, mas por ser negro. Sou mestiço criado por mãe negra, uma mulher invulgarmente batalhadora”, exclama, “no entanto, penso existir uma assustadora desinformação no que toca a este tema. O mundo nem se quer pensa em criações negras, nem os próprios negros demostram interesse no assunto. Vivemos num século em que os politicos e músicos dominam os holofotes e o resto passou a ser isto mesmo. Então, de uma forma geral, tudo isto influenciou o meu interesse no assunto”, explicou.
Se estivesse na condição de leitor, qual seria o principal motivo pelo qual compraria o seu livro?, perguntamo-lo, ao que nos respondeu que a obtenção de conhecimento seria para si o motivo principal. “Nas sociedades modernas em que vivemos, estar informado é estar munido das mais poderosas ferramentas paradoxais. Ostentar conhecimento é vital e sinônimo de preparação e desenvolvimento pessoal”, concluiu.