Por Redacção


Às 16 horas de sábado (15) a Galeria Hall de Lima Pimentel acolheu o evento cultural ‘Conexões Fénix’, cujo objectivo consistiu em unir fazedores da arte musical e da declamação, a fim de abalar o marasmo em que tais correntes artísticas encontram-se mergulhadas. De igual modo, o evento visou dar voz, por meio da poesia dita e da música alternativa, aos jovens artistas de exporem seus ideais que reflectem e filosofam o cidadão angolano como o garante de uma sociedade una, justa, inclusiva e indivisível.

Nilton Setas, ao som do violão tocado por si, abriu o espectáculo cantando Rui Mingas. Bona Ska, no seu modo peculiar e ‘envolvente’ deu espaço ao verbo e deixou que o título ‘Paludismo Social’ cantasse nos ouvidos e levasse os presentes à reflexão:
“Minha voz obsoleta/De dor absoluta/Observou e absorveu a alma de quem escuta/Abdicou de algum prazer/obedeceu a voz da luta/Abduziu e reduziu aqueles filhos da…/Curta, curta metragem das nossas miseras vidas./Custa! Absoltos no absurdo, meios cegos meios surdos…/Por isso anda tudo mais para menos nessa terra/E a situação é crítica/Quando eu falo me falam xé rapaz não fala política.”, excertos da declamação.

Pedro Bélgio, Sofia Lucas, Gino Sacramento, Hondina Rodrigues, Cardoso Lopes, Ismael Farinha, Djola Guise, Kisha Kussamba, William Kryptosófico e Flor D’Lotus também se fizeram presentes no palco da Galeria Hall de Lima Pimentel e os poemas declamados deixaram patente a reflexão antropológica e sociológica do homem angolano no seu relacionamento com a cultura, política e sociedade. António Paciência, vencedor do ‘Luanda Slam’ 2016, no corpo da poesia ‘O país que nasceu meu pai’ trouxe à tona os prós e contras da vida que informam e conformam a vivência do povo angolano.
Ednilson Monteiro, outro slammer angolano com prémios de spoken word ganhos na África do Sul, também se juntou à festa cultural e depois de trazer várias perguntas retóricas no corpo da sua poesia slam, concluiu dizendo que o destino é um ponto que o homem por si e para si constrói. Isvânia Marques fazendo freestyle apresentou uma poesia inédita e a mensagem foi: “No buraco negro existe a força e a escuridão que nos conduz”.
A música alternativa não se fez esperar, Cyrius começou por apresentar dois temas seus melódicos que muito agradou o público presente. Os renomados rappers undergrounds Sanguinário e Mono Stereo representaram o Hip-Hop na sala e puderam mostrar o que melhor sabem fazer: rap interventivo.
Alguns amigos da arte e da cultura angolana também tiveram a palavra. Oliver Quiteculo falou do ‘Projecto Divulo’, uma iniciativa da jovem escritora Cláudia Cassoma, cujo objectivo consiste em fazer campanha de angariação de livros para a edificação de bibliotecas a fim de levar educação e felicidade às crianças através dos livros. A primeira edição do ‘Projecto Divulo’ beneficiará a Escola Primária n.º 2 ‘Ngola Nhinhi’ (Kwanza-Norte) e a campanha começou a 2 de Abril e termina a 28 de Maio. Pelo que Quiteculo apela a todos os jovens da banda a canalizarem as suas ofertas de livros.

No final do evento o escritor e jornalista Lourenço Mussango, na veste de coordenador do Observatório Literário Tundavala (uma das instituições organizadoras do ‘Conexões Fénix’), anunciou que as garrafas plásticas vazias recolhidas à porta do local do evento serão doadas para o ‘Projecto Reciclar e Amar’. Projecto que nasceu em prol do serviço social, e em algumas comunidades de Luanda tem capacitado jovens e adultos a fim de criarem mobiliários para casas e escolas a partir da reciclagem de plástico. Elogiou a ‘Bushido Art’ pelo desempenho e parceria, e reiterou profundo agradecimento a Galeria Hall de Lima Pimentel por ter cedido o espaço e dado suporte logístico ao evento.