Por: Adalmira Ekuikui


Os familiares furtam-se em ajudar nos casamentos, sendo que em alguns casos somente uma percentagem mínima ajudam e noutros, nas vésperas do casamento os telemóveis, normalmente mantém-se desligados ou justificam-se com os atrasos salariais, foi o que constatamos em conversa com alguns recém-casados e quem esteja a protagonizar a união entre famílias.

Anael Salongue, casada há dois anos, e Lorena Daniela, há 6 meses, lembraram as pressões e gastos que viveram nas vésperas dos seus casamentos, muitos dos quais podiam ser evitados caso a família ajudasse. Anael Salongue lamentou o facto de muitas vezes os familiares comprometerem-se em ajudar e no final as promessas acabarem por ser somente promessas, “uns dizem, vamos ajudar e tudo mais, mas no momento em que o dia está a se aproximar, alguns não ligam, alguns desligam os telefones, os outros vêm com políticas de que o salário está a atrasar, mas já têm consciência de que está a faltar dois a três meses para o casamento e muito antes foram avisados sobre isso. No meu casamento praticamente os meus pais é que custearam tudo”, recorda.
Lorena Daniela disse que somente 30% dos seus familiares ajudaram.

Muitas vezes precisa-se muito mais do que o valor imaginário para cobrir os gastos que podiam ser dados pelos familiares, Lorena Daniela diz que aproximadamente gastou 8 milhões de kwanzas para o seu casamento ao passo que Anael Salongue surpreendeu-se com os gastos,  pois muitos deles não previa e só a última da hora é que foram surgindo, “não me lembro taxativamente quanto é que nós gastamos, mas aconteceu que, faltando alguns dias para o casamento, a dona do salão resolveu acrescer o valor, ou seja, nós estávamos para pagar por convite 25 mil kwanzas e acabamos por pagar por convite 50 mil kwanzas e era algo que não se tinha acertado nada, faltando alguns dias tinha que se pagar a ultima parte do salão e ela disse que o câmbio  subiu e automaticamente vocês têm que acrescentar um milhão de kwanzas, então foram muitos gastos mas em compensação correu tudo bem, graças a Deus”, contou.

Das várias dificuldades que vão surgindo para a materialização do casamento, para Lorena Daniela a principal foi, “encontrar as coisas com preços acessíveis”.

A seleção de convidados é um outro critério a se ter em conta, pois para os noivos fica a responsabilidade de pagar convites por pessoas e muitas vezes os recursos são escassos e para Anael Salongue isso constitui uma pressão muito grande.

A maior preocupação de Anael era a ansiedade, “estava ansiosa e estava preocupada em estar bem, que o vestido me ficasse bem, que os convidados gostassem da festa e que fosse aquilo que eu sempre quis que fosse”, lembra.

Perante todas as dificuldades e contratempos vividos nos preparativos do casamento, as nossas entrevistadas partilham a alegria de no final de tudo ter terminado sem nenhum sobressalto e terem tido os seus dias vividos na continuação de um “até que a morte vos separe”.