É notável no actual modo de vida dos angolanos as consequências da crise financeira e económica que assola o País desde o último trimestre de 2014, provocada pelo baixo preço do barril de petróleo no mercado internacional. A cada dia que passa a falta de divisas no mercado formal cresce e a inflação ganha proporções assustadoras, que se repercutam nos bolsos dos pacatos cidadãos, fazendo com que estes percam o poder de compra dos produtos e serviços básicos que visam a satisfação das necessidades primárias.

E com uma certa dose de nostalgia percebe-se claramente que a crise económica tem desencadeado outras crises. A ética e os valores morais deixaram de fazer sentido para algumas pessoas. Alguns jovens perderam o pudor, já não medem os meios para atingirem os fins. E num ápice correm rumo à visibilidade e à riqueza, e deste modo alienam o que lhe é mais sagrado, a liberdade de consciência!

Emerge na sociedade angolana e, principalmente, luandense uma nova classe “intelectual” de jovens formatados e alienados. Jovens munidos de um certo conhecimento, detentores de discursos pomposos, que saem das universidades com um único discurso (propósito): “Vou falar bem do Partido X e do Político Y, ganhar espaço de antena nos média e afirmar o meu nome perante a elite dominante.  Assim, vamos assistindo em debates ou entrevistas jovens sedentos de visibilidade e dinheiro que com discursos mascarados advogam nos meios de comunicação social a existência de uma Mwangolé que na verdade ainda não existe e está longe de ser edificada.

Os cómicos shows oferecidos por meio de discursos retóricos feitos pelos bajús da nossa sociedade, têm ganhado proporções preocupantes que de certa forma provocam a desinformação da opinião pública angolana. Os tais bajús, detentores de verdades aparentemente incontestáveis, seguem viagem tranquilamente e volta e meia os vemos na TV com prémios outorgados por jovens que vivem do lado de lá onde não há poeira e nem ferrugem.

Amparados por estes prémios com graus, jovens com nomes e sem nomes emergem do casulo com afirmações infundadas, danosas ao tão almejado desenvolvimento.

Angola mais do que nunca, neste momento de dificuldades visíveis, precisa de jovens formados que a ajudem a sair deste labirinto em que se encontra. Não é hora e nem momento para brincarmos de intelectuais prostitutos. É hora de pensarmos seriamente no país, apontarmos o que está mal e oferecermos possíveis soluções a quem detém algum poder no Executivo.

Angola nunca conheceu uma geração tão corrompida como a nossa. Os kotas da Banda que os bajús tanto cortejam com discursos mascarados riem-se da nossa mediocridade e incompetência. A nossa formação é posta em causa. A educação recebida dos nossos pais é banalizada e a competência dos nossos professores é ridicularizada. Os intelectuais da Geração da Mensagem e da Geração das Incertezas afirmam que somos uma geração sem identidade e que, com certeza, não fará história.

À Administração pública angolana tem os seus erros e todos nós sabemos, mas infelizmente o móbil do descalabro da nossa Banda tem sido incentivado e aplaudido por jovens como nós. Os bajús, detractores actuais desta nova Angola, estão a matar o pouco de esperança que restou nesta Mwangolé que tanto amamos.

Os detractores da nova Angola, devem ser desincentivados por todos nós que volta e meia aparecemos nas redes sociais aplaudindo-os por meio de uma foto tirada e partilhada, por meio de um discurso incentivador. Jovens, os bajús são os maiores incentivadores do fosso existente entre ricos e pobres, mascaram a deficiência do nosso sistema judicial e subliminarmente aplaudem o nepotismo, a corrupção, as injustiças e outros actos nocivos à gestão do erário angolano, a inclusão social e ao bem comum. Os bajús estão a matar as nossas famílias e, consequentemente, o País.

Urge a necessidade de ouvirmos pessoas sensatas que realmente se preocupam com a situação caótica em que nos encontramos. Não é hora de vermos de que lado essas pessoas estão, se são pró ou contra as acções do Executivo que carecem de melhoramento. Angola precisa de filhos que a amem e não de bajuladores. Só assim ajudaremos o País a trilhar o caminho certo.