Texto: Michel Candembo


As contendas, divergências e ‘beefs’ entre os músicos, produtores e realizadores de eventos têm sido cada vez mais frequentes no nosso cenário musical. 

O púbico que é o consumidor final, em algumas ocasiões toma partido e defende cegamente o seu artista favorito sem ter a vontade (nem a possibilidade) de apurar devidamente os factos. 

A falta de abertura por parte dos agentes musicais em Angola, por medo de se verem envolvidos em polêmicas que poderão de alguma forma afectar seu rendimento é um dos motivos pelo qual raramente ficamos a saber com exatidão a situação real dos bastidores. 

Entre os artistas de estilos como o Semba, a Kizomba e afins, não é habitual as músicas conterem palavras ofensivas dirigidas a colegas de profissão. Porém é muito comum ouvirmos sobre boicotes, desunião e intrigas criadas por músicos precisamente para comprometer outros músicos e agentes do showbiz. Casos graves como falsas acusações de envolvimento sexual com menores envolvendo artistas foram disseminados por colegas de profissão. Casos em que um cantor faz uma declaração infeliz e os colegas correm para as redes sociais para mostrar descontentamento, mais com a intenção de autopromoção da imagem do que propriamente corrigir o que está errado. 

É caso para dizer que boa parte da geração do pôs independência em Angola está envolvida numa ‘power trip’ (luta/viagem inescrupulosa em direcção ao poder) e os artistas que pelo número de seguidores deviam ser exemplos, não estão fora desse pacote de pessoas que acham que os fins justificam os meios. 

No Hip-Hop, e especificamente na música rap, há quem defenda que o ‘beef’ é intrínseco ao próprio estilo e por isso deve ser encarado com normalidade, sendo que desde a história da sua criação há relatos de rappers que instigam seus adversários através de versos rimados de forma improvisada ou escrita. Há também situações em que esses conflitos saíram do lado musical e escalaram para um cenário de violência que inclusive se acredita ter ceifado a vida de rappers lendários como Tupac e B.I.G. 

Os artistas de rap da nova geração têm mostrado alguma tendência para confrontos físicos entre si, e já com alguma preocupação temos ouvido relatos e assistido a vídeos em que os mesmos têm atitudes que no mínimo mostram não saberem separar as águas entre as provocações na música e as ofensas corporais que em Angola são proibidas por lei. O caso dos rappers Kid Mc e Dji Tafinha, que recentemente tiveram maturidade suficiente para fazerem as pazes, é a maior prova de que os problemas da música devem ser resolvidos apenas nesse fórum. 

O Kuduro que sempre foi um estilo marginalizado, tem dado provas de que tem melhorado nesse sentido e apesar das músicas provocatórias, temos visto com cada vez menos frequência kuduristas envolvidos em situações de violência entre si. O último caso de que se tem registo é referente ao cantor ‘Da Beleza’ que agrediu um colega de profissão por razões de outra ordem, mas teve o bom senso de se redimir em público dando um grande exemplo para os jovens que o admiram enquanto fazedor de arte