Por: Neliengue Sancho
Imagem: Céus Alexandre


Em Angola o Rock é um género musical que poucos conhecem os primórdios, mas registos indicam  para década de 60, com o surgimento de bandas como Os Rocks, Vum-Vum, Os Incognitos, Os Jovens, Os Kríptos, Os Brucutus e muitos outros conjuntos espalhados pela então ex-província de Portugal. De lá para cá, este estilo tem dado os seus passos, mais significativos nos últimos tempos, tanto que pelo seu notável crescimento e peculiaridade nos temas cantados outrora, suscitou interesse da estudante brasileira Melina Parecida dos Santos Silva, que está a desenvolver uma pesquisa para tese de doutorado deste estilo mundial no nosso país desde 2014 com grupos antigos e novos.

Após independência, o estilo musical era ainda bem consumido e por essa razão começou um novo movimento no princípio dos anos 90 com as bandas Acromaníacos, Mutantes, Os Quinta-Feira, Ventos do Leste, Anexo, The Cristals, os Pássaros, 1516, Neblina, sendo este último a única banda com dois videoclipes gravados e um álbum no mercado. Mas na actualidade a divulgação e os eventos têm estado a crescer num “ritmo inacreditável”, referem os amantes.

Desde 2014 Melina Parecida dos Santos Silva desenvolve estudo sobre rock angolano com diferentes grupos de rock que estão principalmente nas províncias de Luanda, Benguela, Huambo e Huila. A jovem é estudante da Universidade Federal Fluminense em Niterói, no Rio de Janeiro, no departamento de Comunicação.

Segundo Melina, o documentário Death Metal Angola, que tivera assistido retratava a forma como os rockers em Angola usavam temas ligados a assuntos locais, como a guerra civil e isto chamou sua atenção porque por norma este estilo trata de temas universais e essa peculiaridade neste subgénero musical no nosso país é que lhe levou a estudar o rock angolano para sua tese de doutorado.
“Para o caso de Angola o documentário Death Metal Angola dizia que, principalmente no Huambo, tinha bandas que retratavam a guerra civil por meio deste subgénero, mas, pela narrativa do documentário aqui seria um caso peculiar porque as bandas em geral interpretam temas universais, uma vez que aqui eles tratam de assuntos locais, é um caso único inclusive na cena mundial como um todo. Montei o projecto e foi aceite (pela universidade), coisa que não estava à espera”, confessa.

A estudante reconhece não ser fácil por se tratar de uma pesquisa internacional  e também por considerar Angola como um lugar caro para estrangeiros. Por isso, por questões académicas e de estadia, Melina tem estado num vai-e-vem regular desde que iniciou a pesquisa em 2014.

As bandas Sentido Proíbido, Dor Fantasma, Nvula, Black Soul, Ovelha Negra, Projectos Falhados, Neblina, Acromaníacos, Instinto Primário, Mutantes e individualidades como Manel Kavalera e Sónia Ferreira e outras figuras ligadas ao estilo rock em Angola, são até então elementos envolvidos no referido estudo.

Trabalho que pretende entregar até o final do ano, a pesquisadora mostrou satisfação em relação ao crescimento dos festivais e dos grupos que vêm surgindo ao longo do tempo no que a qualidade e quantidade diz respeito “houve amadurecimento em muitos aspectos e penso que isso se deve ao facto de o estilo ter actualmente outra visibilidade em Angola”, entende. “As mudanças estão patentes em termos de sonoridade, performance dos grupos e adesão dos amantes do estilo rock em locais onde acontecem festivais e shows.

Bandas mais notáveis 

Além dos grupos pioneiros já referidos acima, actualmente existem algumas bandas que começam a se destacar em Angola tais como Dor Fantasma, Black Soul, Before Crhus ex-Nightmare Today, Last Prayer, Mvula, Café Negro e Instinto Primário. Existem ainda outras bandas no circuito musical do rock Angolano, cujo futuro de momento é aparentemente incerto, tais como: Fios Eléctricos, Velório, Demential,, Pestes & Parasitas, Estranho Atractor, Necrotério Vazio,Via Sacra, Silent Whisper, Mark Davids, Tiranuz e Ovelha Negra.

Em Junho de 2017, a Banda Ovelha Negra lançou pela primeira vez o seu single intitulado: Preso, marcando assim mais um registo na história do Rock no País.

Bandas extintas 
Komu keiras, Fumaça Negra, Basicamente, Mundo a 100 passos, Áudio 13 e outras.

O Rock angolano actualmente
De 2008 à 2016 o aumento de bandas de Rock em Angola teve um crescimento triplicado, carecendo somente para o facto de não haver grande disponibilidade de material e os custos serem um pouco pesados, no entanto, Angola conseguiu registar alguns êxitos como a conquista do prémio AFRIMA pela banda Nvula como melhor banda de Rock de África, impulsionando assim a entrada da categoria Melhor Rock, nos Angola Music Awards.

Outra banda que vai se destacando são os Last Shout, que inclusive participaram do festival GOROFEST, na África do Sul, sendo assim uma das primeiras bandas a ter uma aparição em grandes palcos com bandas de renome em África.

Para os Angola Music Awards 2017, pela primeira vez, com a categoria Rock, a banda Black Soul venceu o prémio, assinando assim a sua marca como a primeira banda de Rock Angolana a vencer este prémio.