Por: Redacção


Muitas pessoas vêem a partilha de objectos pessoais como uma questão de confiança no parceiro, sendo que os usos e costumes em Angola por si só, já nos remetem a um contexto de união familiar e consequente cedência de bens que possam acudir às necessidades uns dos outros. Crescemos habituados a dividir escovas de cabelo, roupas, fatos-de-banho e corta-unhas entre primos, irmãos, amigos e outros quantos consideramos próximos.

Entre os casais pressupõe-se  que a intimidade seja maior. Escolhemos para isso dois casais em estágios diferentes de relação, que sob anonimato decidiram falar abertamente sobre o tipo de objectos que partilham.

O primeiro casal uniu-se recentemente, mora há 5 meses numa das artérias de Luanda e espera por um bebé. O facto de a esposa estar grávida fez com que os cuidados com a higiene aumentassem, porém é comum partilharem toda uma gama de objectos, entre roupas e toalhas de banho. “Ainda uso as camisolas dele quando quero estar mais à vontade em casa e também temos o hábito de usarmos a mesma toalha algumas vezesnão sabia que isso era prejudicial”, confessou a recém-casada e acrescentou ainda: “deixámos de usar o mesmo material das unhas desde que fiquei grávida, mas antes usávamos e até bebíamos e comíamos nos mesmos pratos e copos, sem ter a necessidade de lavar”. Perguntamos se já haviam partilhado a escova de dentes, disseram que já aconteceu algumas vezes, embora não ser constante, “é difícil isso acontecer, mas tenho que admitir que já aconteceu (risos)”. “Eu acho que por ser minha esposa e antes disso termos namorado muito tempo aumenta a confiança entre nós, sei que isso não é um hábito saudável e agora temos mais cuidado. Também usamos o mesmo sabonete mas não partilhamos perfume, nem creme, nem desodorizante por termos gostos diferentes” disse o esposo.

O 2º casal que acompanhamos é de namorados, que já caminham para a fase de noivado/alambamento e posteriormente casamento. Seleccionamos uma lista de objectos que procuramos saber se partilham e com que frequência partilham. “Corta-unhas não partilhamos porque não vivemos juntos e por norma até eu faço as unhas no salão”, justificou a jovem. “Temos muitos anos de relação e sou aceite na família dele. Por vezes quando há um convívio em família durmo lá, pela distância entre as nossas casas, e quando durmo uso as roupas dele para dormir e a toalha dele de banho também”. Mas escovas de dentes e do cabelo, disseram que não partilham e além dos objectos já ditos, partilham também perfumes, desodorizantes, sabonetes e cosméticos dessa ordem.

Riscos na partilha

Eis a lista de objectos que não devem ser compartilhados e as principais razões, de acordo com as normas de ‘consenso geral’ entre os infectologistas de todo mundo:

Escova de dentes: Ao usar a escova de dentes de outra pessoa, somos invadidos por numerosas bactérias e fungos, que nos podem levar a contrair doenças. O risco aumenta quando não costumamos beijar o dono da escova na boca, pois os casais têm a microbiota bucal bastante similar devido aos beijos frequentes e mesmos hábitos alimentares, portanto o risco de ter alguma doença é menor, mas não deixa de existir;

Batom: Ao ser emprestado, o batom transporta fungos, vírus e bactérias da pessoa que o utilizou da última vez para a outra, o que pode resultar na transmissão de doenças infecto-contagiosas;

Toalhas e sabonetes: As toalhas e sabonetes são igualmente meios de transmissão de doenças como a herpes, a conjuntivite e até mesmo a HPV, que não é transmitida apenas pelo contacto sexual directo, de acordo com alguns especialistas;

Corta-unhas: Como o próprio nome faz crer, são objectos cortantes feitos de metal, que entram contacto directo com a pele e podem originar cortes, gerando risco de contração de doenças graves como a hepatite e o HIV;

Roupas: Não é aconselhável usar roupas alheias, a não ser que a necessidade seja grande e que conheçamos bem os hábitos de higiene desta pessoa, pois apesar do risco ser baixo, a possibilidade de contaminação de alguma doença ainda existe.