Por: Albino Tchilanda
Imagem: D.R.


Os mais de duzentos e vinte pacientes com insuficiência renal, nos centros de tratamento de Benguela e Lobito já poderão continuar a ter assistência, dentro de horas, porque desde a manhã desta terça-feira que estão sendo feitas as negociações entre o Ministério da Saúde e a Direcção da referida unidade hospitalar. Os que pacientes têm a vida em risco, porque os funcionários decidiram paralisar as acividades devido os cinco meses sem salário podem voltar à normalidade.

Os centros de hemodiálises instalados nos hospitais municipais de Benguela e regional do Lobito, respectivamente, paralisaram, ontem, segunda-feira, as suas actividades, por falta de pagamento de salários de cinco meses aos funcionários.

À JdB, os funcionários, zangados com a situação, lamentaram a situação. Para eles os cinco meses sem receber salários é demais,  por isso optaram pela greve. A paralisação das actividades pode causar morte a mais de 200 pessoas, já que quem sofre de insuficiência renal crónica  tem apenas dois a três dias de vida, caso não faça a hemodiálise.

“É difícil ver os filhos a chorar de fome e o pai trabalha, mas não consegue socorrê-lo. Sabemos que os pacientes correm risco de vida, mas o que fazer?” interrogava-se António Muele, um dos funcionários.

Entretanto desde o princípio da manhã desta terça-feira que o Ministério da Saúde negoceia com a Direcção do centro para se encontrar uma solução e repor a normalidade do centro, segundo confirmou à JdB António Muele, médico do centro.

A ministra da saúde prometeu que a situação poderá ser resolvida dentro de horas.

Sem medicamentos, os centros, sob gestão de uma entidade privada, estão vulneráveis ao risco para iminência de mortes dentro de 72 horas e lamentam que o Estado não esteja a cumprir as suas obrigações.

Preocupado também com a falta de meios, o nefrologista Alcides Tomás, director em exercício do Centro de Hemodiálise de Benguela, que existe há já cinco anos, reforça o apelo ao Ministério da Saúde com números impressionantes.

A doença renal crônica consiste em lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins (glomerular, tubular e endócrina). Em sua fase mais avançada (chamada de fase terminal de insuficiência renal crônica-IRC), os rins não conseguem mais manter a normalidade do meio interno do paciente.