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Conceptualmente, define-se civilização todo o agrupamento de pessoas que vivendo em conjunto seguem regras estabelecidas, cooperam por objectivos comuns e produzem, estes produtos podem ser desde a arte às ciências.

”Civilizações Africanas” parece uma terminologia pouco usual devido às várias fases de opressão que levaram a rotular África e africanos como inexpressivos no mundo, em outras palavras, não civilizados.

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Africanos viviam como primitivos, em grutas e cavernas e só mudou o quadro com a chegada dos europeus”.

Foram estes alguns dos bárbaros conceitos que, infelizmente, resumiam a história de África antes da introdução dos navegadores europeus. Pesa o facto de sermos um povo cuja história se apoia muito às fontes históricas, tornando-se difícil o conhecimento da realidade histórico-social dos nossos antepassados.

Aprendemos sobre nós em livros escritos por historiadores estrangeiros, também motivados pela supremacia racial que por muitos anos acreditamos ser verdade. Hoje o quadro evidentemente é diferente, mas a ignorância continua a prevalecer também pela falta de interesse, meios de pesquisa, e pelo facto de serem escassos os registos materiais da época.

Nesta edição viemos, com este tema, quebrar esses ”dogmas” criados propositadamente, para desmerecer o grande valor que reside nas nossas terras, nossa gente, nossas culturas.

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A África descoberta por europeus

Esta expressão, filosoficamente falando, poderia levantar vários pontos de vista, mas é crucial situarmo-nos no mapa não apenas depois da chegada dos navegadores à nossa costa, porque já antes dos europeus existiam povos, reinos, que habitavam o nosso continente. Razão para repensarmos que talvez não tenhamos sido ”descobertos” como se de propriedade privada nos tratássemos depois do efeito, mas os europeus descobriram que África existia, e por isso, o nosso passado antes da chegada dos europeus não deve ser apagado como se fosse insignificante.

África não é uma parte histórica do mundo Hegel, Filósofo alemão.

Veremos até que ponto isso é verdade.

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Como viviam os negros africanos antes da chegada dos ”brancos” europeus no sec. XV?

Os primeiros homens que não abandonaram o continente africano, viveram por vários milénios isolados pelo mar, pelo deserto e desenvolveram sociedades tão avançadas quanto a sociedade egípcia.

Porém, os impérios africanos já praticavam o comércio à longa distância, onde possuíam ministros e embaixadores em várias partes do mundo. Ouro extraído da região do Gana era vendido aos egípcios, e peles de animais exóticos chegavam até à Ásia Menor. O ferro introduzido no Egipto pelos assírios em 500 A.C. era fundido no interior do continente com um processo que os europeus só utilizaram na Idade Moderna.

O isolamento dos povos africanos era meramente social. Por não sofrerem interferência directa de nenhum povo; as tribos tinham alcançado níveis de organização que causaram espanto aos primeiros europeus que cá aterraram.

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Ciência e Economia

No sec XVI, os africanos eram muito habilidosos em Medicina, Naturalismo e nas Artes, como a pintura, artesanato, escultura e música.

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Organização Política

Tinham uma estrutura política muito ampla, que incluía desde reinos até cidades-estado. Sendo os principais reinos: Ashanti, Kondo, Ndongo, Napata, Songhay, Abomey, Oyo e Mossi; reinos altamente organizados com instituições hierárquicas como um conselho de anciãos, que definia leis e controlava o poder, equivalente a um governo e governador da tribo.

Possuíam também um sistema administrativo e burocrático.

Muitos reinos eram bastante influentes no continente, chegando mesmo a controlar outras tribos. Um desses reinos era o reino do Kongo, o mais importante da África Central.

O Kongo possuía mais ou menos 3 milhões de habitantes, e era governado por Manikongo. Manikongo possuía tesouros acumulados, recebia impostos e tinha o seu exército. Mbanza Congo era a capital do reino do Kongo, e tinha mais de 100 anos de existência quando Diogo Cão descobriu a sua existência.

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Religião

Os africanos tinham a crença em um único Deus, maior, criador, cujo nome variava de acordo à tribo. Para os Yoruba, era o Olorum, para os Ewe era Mawu e para os Ashanti, Onyankopoa.

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Porquê que os reis negros escravizavam negros?

Realmente existia escravidão antes dos europeus chegarem a África, mas é ERRADO comparar o sistema esclavagista repugnante dos europeus com o que acontecia entre as tribos africanas. Os escravos em África tinham a obrigação de servir o rei e trabalhar pelos interesses da tribo, mas ainda assim tinham direitos, podendo casar-se, constituir família, deslocar-se de acordo à sua vontade, sem que houvesse a agressão gratuita e a falta de direitos sociais que implementavam os povos europeus.

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Você sabia?

Entre as tribos africanas existiam rivalidades e disputas, e um facto bastante engraçado era que as disputas raramente envolviam uso de força, ao invés da guerra, os nossos antepassados resolviam os seus problemas pelo diálogo, consumado pelos líderes sábios de cada tribo. Tudo pela bela cultura africana onde a irmandade se estende entre famílias não somente de sangue, mas também por afinidade.