Por: Lourenço Mussango


É inegável que a comunicação social transcendeu a posição de ‘quarto poder’ que sempre lhe foi conferida. Na sociedade actual, a chamada sociedade da informação, o poder dos Meios de Comunicação de Massa tende a confundir-se e a perigar a hegemonia de outros poderes. Em sociedades democratizadas ou não, as elites políticas e económicas tendem a monopolizar a informação a seu favor.

O poder de influência dos média sobre a sociedade permite-nos afirmar que eles (os média), por meio das peças noticiosas que informam ou desinformam o cidadão, exercem uma espécie de controlo social. Tal como advoga Juan Fuentes Osorio, “os meios de comunicação social são autênticos agentes de controlo social que reconhecem e delimitam os problemas sociais ao mesmo tempo que generalizam enfoques, perspectivas e atitudes de um mesmo conflito”.

Desde modo, nesta época sensível em que se avizinha o pleito eleitoral, torna-se imperioso e importante levar o cidadão angolano a reflectir em torno das causas que muitas vezes o levam a comentar ou a discutir sobre um assunto irrelevante, como foi o caso do beijo mediático protagonizado por dois supostos homossexuais. Caro cidadão angolano, alguns factos polémicos, como o do suposto relógio de quinhentos mil euros, são meras manobras de distracção que surgem para desviar as tuas atenções sobre o que realmente é digno de nota. Por exemplo, na altura em que se comprou o suposto relógio em Cannes e se propagou tal informação, o que mais interessava para os angolanos era saber o real estado de saúde do chefe do Executivo. Mas a notícia sobre o relógio do jovem ‘filantrópico’, tão logo pingou na rede, silenciou todo um povo preocupado com o estado de saúde de quem os governa.

Amigo cidadão mwangolé, nem tudo sobre o que discutimos ou abordamos energicamente é de tamanha relevância social e merece a nossa devida atenção, mas o poder de persuasão dos média e os seus efeitos têm-nos levado a perder de vista o que realmente interessa. Shaw assevera que “em consequência da acção dos jornais, da televisão e de outros meios de informação, o público sabe ou ignora, presta atenção ou descura, realça ou negligência elementos específicos dos cenários públicos. As pessoas têm tendência para incluir ou excluir dos seus próprios conhecimentos aquilo que os mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo”.

Existem algumas ‘verdades absolutas’ e assuntos aparentemente interessantes que defendemos piamente com unhas e dentes, que na verdade são fúteis e irrelevantes e tomamos como frutos das nossas convicções e crenças, nos são impingidos suavemente pela comunicação social. Temos sido manipulados e instrumentalizados pelos factos (assuntos) que os órgãos de comunicação noticiam.

E embora os média não imponham de forma autoritária e directa as suas ‘verdades’ e perspectivas factuais, têm ditado para nós uma lista de assuntos ou factos noticiosos sobre os quais devemos ter uma opinião e discutir. E por mais fúteis que estes assuntos sejam temos sido persuadidos e levados a comentar.

Judson Pereira de Almeida reitera que “a comunicação social elabora uma espécie de agenda para as discussões em sociedade…O pensamento das massas é o reflexo directo do que foi pautado pelos meios de comunicação”. E embora, segundo Shaw, o pressuposto fundamental da agenda-setting conclui que a compreensão que as pessoas têm de grande parte da realidade social lhes seja fornecida, por empréstimo, pelos mass media, os factos apresentados pelos média, por meio das suas agendas, devem ser questionados e analisados com cautela e seriedade a fim de serem aceites ou refutados.

As informações que os jornais, as rádios, as televisões e outros média divulgam não podem, à priori, serem tomadas como verdades absolutas e livres da nossa análise minuciosa. Não devemos deixar-nos minar ou seduzir por agendas e notícias que defendem interesses de certas elites que empobrecem o nosso bem-estar colectivo. Torna-se imperioso termos consciência crítica para refutarmos todas as informações que induzem o povo à subjugação e servem de manobra de distracção e alienação dos cidadãos. É importante não confundirmos e aceitarmos propagandas políticas ou anúncios publicitários como informações dignas de constarem na agenda social do público.

Caro cidadão, alguns órgãos de comunicação vendem informações de interesse público que não são do interesse do público. Ou seja, muitos destes média divulgam informações que a sociedade não necessita, mas que servem para passarem as agendas e os assuntos que pretendem a fim de conservarem o controlo social.

A comunicação social em Angola, na China ou nos EUA, é um poderosíssimo meio de controlo social ao serviço das elites. Portanto, não se deixe enganar pelo nome do jornalista e do meio que divulga o facto. Há sempre uma intenção por detrás de quem escreve e divulga a informação. Saiba filtrar o que lê, ouve e assiste, e faça a sua própria agenda sem ser manipulado ou instrumentalizado.