Texto: Albino Tchilanda


Ainda em alusão ao dia dedicado à saúde, 7 de Abril, JdB visitou esta semana algumas praças de rua e mercados da capital para ouvir dos compradores de produtos alimentares e as razões que os levam a adquirir nesses locais, expostos ao sol e moscas, procurou também saber do grau de conhecimento que se tem das consequências que o consumo desses comestíveis pode provocar à saúde. Entretanto, é ponto assente que alimentos ao sol fazem mal e carnes mal cozidas são fatais, alerta médico.

O mercado dos Congolenses, no distrito urbano do Rangel, foi a nossa primeira paragem, logo à entrada, interpelamos a senhora Doroteia Salvador, de 47 anos de idade, moradora do Mártir do Kifangondo, comprava algo para seu almoço. Para a dona é um hábito comprar naquele local os alimentos, por acreditar ser muito mais prático e barato, “porque nas ruas há sempre o que se precisam”. Um monte de tomate, por exemplo, são 100 kwanzas, mas nos supermercados ou dentro do mercado pode te vender quatro tomates a 200 kwanzas”, retorquiu.

Na praça da ‘Mamã Gorda’, em Viana, encontramos a Jovem Mariel de Almeida, de 23 anos, moradora do Caprédio, 1 quilómetros dessa praça, meio tímida com a nossa presença, mas não demorou a aceitar a entrevista, Mariel disse ter  acabado de sair da escola, e todas as vezes que acontece a ‘Mamã Gorda’ é seu alívio devido à distância e o medo de colocar a refeição tarde à mesa. Quando questionada sobre os riscos que o consumo desses alimentos pode causar à sua saudade, respondeu não haver muita diferença entre os produtos dos supermercados com os da praça. 

Qualidade nutritiva

João Paulo Luciano, de 31 anos de idade, médico clínico geral, explicou que os alimentos expostos livremente são menos nutritivos, por serem afectados por inúmeros seres ambientais, como as bactérias, fungos e vermes ou, em muitos casos os agentes químicos devido a industrialização, e, “isto é muito mais desnutritivo que ficar uma semana sem comer”, enfatizou.

Todos esses alimentos que perdem a qualidade nutritiva, refere o médico, causam disfunções intestinais (má assimilação do tubo digestivo) por causa dos ovos das moscas, e as consequências são diarreia, vómitos, náuseas e anemia aguda.

Ferveduras ajudam a eliminar bactérias, mas diminuem nutrientes

O especialista alerta que não basta ferver os alimentos e eliminar as bactérias, é necessário manter os lípidos, as proteínas, os glícidos e vitaminas, porque se os seres morrem, a qualidade acaba por morrer com eles, diz.

Os alimentos vendidos em locais que não oferecem condições de higiene ficam vulneráveis  a amebíase, explica o médico, uma bactéria que causa instabilidade no sistema digestivo, provocando diarreia, porque corrói  as paredes intestinais, o que causa “dor de barriga” libertando líquidos em momentos em que o alimento devia ser retido no organismo.

Quanto ao tempo que o alimento deve permanecer no organismo, o especialista refere que isso depende muito do metabolismo.

Frutas, latarias e carnes embaladas na rua é perigo

As frutas, carnes e latarias, em função das suas composições químicas são muito mais nocivas, por serem o melhor habitat para o desenvolvimento dos vermes, explica João Luciano. A radiação solar em frutas como a banana, por exemplo, produz enormes quantidades de toxinas, resultante dos vermes e bactérias, que é muito nocivo ao organismo, nem mesmo lavando com lixívia essas bactérias acabam. O organismo só precisa absorver os nutrientes, refere. As frutas e verduras expostas ao sol contêm mais toxinas (desnecessária para o organismo) do que nutrientes.

 Carne de porco mata muito mais rápido

O médico adverte para muito cuidado com o consumo da carne de porco, por conter enormes quantidades de “taenia” (um parasita que habita no organismo dos animais, muito prejudicial à saúde). Essa carne deve ser bem fervida, porque se o tempo de fervedura não for suficiente, os parasitas são reactivados. Não se deve comer a carne de porco vinda das ruas sem passar por um processo de fervedura considerável, recomenda. 

Se o leitor se lembra, aquando da notícia publicada pela JdB sobre o estado de convalescença do cantor Sebem, o médico cubano que o acompanha aventa a possibilidade de o consumo da carne de porco e através de pinchos estarem na origem da doença que o artista atravessa, já que este chegou a admitir que comia muita carne.

Verduras só às manhãs

O médico João Luciano deixa um apelo às famílias para não dispensarem à sua mesa as verduras, caso comprem esses alimentos ao relento, a fazerem-no de  manhã, por causa da temperatura e do tempo de vida que a mesma tem. O alface, por exemplo, é bastante sensível à radiação, logo, deve ser conservado num ambiente húmido e fresco, “se não, é fatal à saúde”, frisou.

Quanto as carnes embaladas, é preferível comprar nos supermercados por causa da conservação, porque todo alimento tem um tempo de vida útil, para tal, é preciso um bom ambiente para preservar esse tempo. Os supermercados são os locais “mais apropriados para manter a qualidade nutritiva”, concluiu profissional de saúde.