Por: Michel Candembo


O dia da criança africana comemora-se a 16 de Junho, por ser este o primeiro dia do ‘Massacre do Soweto’, uma série de protestos protagonizada por estudantes daquela cidade em 1976, na qual morreram aproximadamente 100 jovens e outros mil ficaram feridos. Na ocasião os estudantes protestavam contra a política de ensino do regime segregacionista sul-africano, exigindo melhor qualidade e a inserção das línguas nativas no sistema de ensino.

A cidade do Soweto foi criada em 1963, com o objectivo de agregar todos os habitantes negros de Joanesburgo, África do Sul, num único bairro, pois segundo as leis do ‘Apartheid’, cidadãos negros não podiam viver no mesmo bairro que os de raça branca.

Em 1991 a então Organização da União Africana (OUA) decretou, a partir de Addis Abeba, que este seria o dia da criança africana, pelo simbolismo que carrega, representando a resistência dos povos africanos, em particular os jovens, que se martirizaram em nome da defesa da sua identidade.

Passados tantos anos, há ainda muito por fazer em prol da segurança e bem-estar da criança no continente, pois continuam a ser os que mais sofrem com as guerras, fome e outros problemas que nos assolam.

Por cá, ainda no mês passado JdB noticiou que 74 professores do ensino primário da Vila de Catete, município de Icolo e Bengo, em Luanda, discutiram sobre a necessidade e a importância da inserção das línguas maternas no processo de ensino e aprendizagem, no âmbito do Projecto Aprendizagem para Todos (PAT), do Ministério da Educação.