Por: Oswaldo Kharlos

Ruas desertas durante a noite, medo no rosto de muitos transeuntes, desconfiança e um mar de incertezas sobre quem será a próxima vitima, é o que se tem notado em muitos locais e em muitos pacatos cidadãos desta Urbe chamada Luanda.

A criminalidade é um mal que tem assombrado cidades e países é verdade. Mas, para este artigo foquemo-nos somente na realidade de Luanda.

O que leva alguém a optar por este caminho? A tirar a vida de alguém a troco de coisinhas, a decidir em muitos casos o futuro de alguém? Famílias passam mais necessidades, filhos perdem pais, pais que perdem os seus filhos, tudo isso a troco da inconsequência e do desejo desmesurado de determinados elementos que acham-se superiores empunhando uma arma.

Em conversas com alguns praticantes e ex-praticantes desta “arte”, no sentido de tentar perceber o que leva jovens e não só a tais práticas, encontramos algumas razões evidenciadas pelos mesmos:

– Familiares: nunca tiveram apoio material e/ou psicológico, abandono e desinteresse pela sua existência, não importando-se com o que eles faziam ou deixavam de fazer, optando assim pela solução mais fácil.

– Sociedade: a ânsia de muitas vezes tentarem parecer o que não são, exibir o que não têm para determinados circuitos, faz com que muitos decidam ingressar na vida da criminalidade.

Comportamento: que de alguma forma está ligada a razões familiares, as de natureza comportamental diferenciam-se pela educação, acompanhamento social e académico, que muitos deles tiveram mas que ainda assim enveredaram para a criminalidade, tudo isso porque são ou foram crianças demasiado rebeldes, possessivas, gananciosas e com tendências para apossarem-se do que não é seu, ou ainda demasiado mimadas, habituando-se a ter o que querem e quando assim o desejam.

Tudo isto para explicar o facto de que há um sem fim de motivos a justificar supostamente a natureza das acções destes membros da sociedade.

Eles são também vítimas do próprio comportamento, hipotecando muitas vezes o seu futuro ou ainda comprometendo-o de forma permanente.

De que forma?

Grande parte dos marginais dificilmente enquadra-se na sociedade exercendo actividades que os levem a ganhar a vida de forma honesta e integra. Isto é, depois de um tempo tendem a voltar a exercer as anteriores actividades criminosas, acabando cedo ou tarde gravemente feridos ou quiçá mortos.

Muitos ainda, devido ao uso excessivos de drogas e álcool, tendem a adquirir problemas psíquicos e/ou psicológicos, afectando as suas capacidades de raciocínio coerente, discernimento, assimilação e tendo uma falsa noção da realidade. Portanto, chega a ser um caminho só de ida, não considerando o regresso defeituoso como tal.

A impugnação do medo, cuidados excessivos de segurança, desestabilização da economia, desintegração de famílias, juntamente com as supracitadas e muito mais, sāo algumas das consequências deste mal numa sociedade.

E, enquanto estas questões nāo sāo resolvidas pelas entidades de direito, cá vão algumas sugestões para tentar evitar que sejamos assaltados:

  1. EVITE ostentar objectos demasiados luxuosos e/ ou chamativos em locais que não conhece ou que não se sinta confortável;
  2. EVITE conversas demoradas ao telefone em locais públicos (táxis, autocarros, mercados, calçadas);
  3. EVITE carregar grandes somas em dinheiro e quando o fizer certifique-se de que alguém irá ajuda-lo no quesito segurança;
  4. – Quando estiver a falar ao telefone ou a escrever/ler mensagens no carro evite faze-lo em locais escuros ou em zonas conhecidas como sendo de criminalidade elevada;
  5. – Mantenha os vidros e as portas do carro sempre fechadas;
  6. Leve consigo apenas o essencial, documentos, telefone e dinheiro;
  7. – E mais importante ainda, ORE quando estiver de sair de casa e ORE ao chegar, porque apesar de tudo apenas DEUS poderá proteger-nos;
  8. – E se porventura estiver a ser assaltado por favor não reaja e colabore, evitando assim males maiores.

Nenhum de nós tem o poder de pressagiar quão auspicioso será o seu futuro ou dos seus descendentes, portanto, a medida que formos crescendo temos a possibilidade de escolhermos o caminho que queremos ou pretendemos seguir, então ser delinquente não é uma consequência (talvez). É mais uma questão de escolha, seguir pela via mais fácil para si e acabando por prejudicar quem dignamente tenta viver ou sobreviver.

Assim sendo, caríssimos amigos, nós que de alguma forma ainda temos um pouco de bom senso, pensemos bem na educação que queremos dar aos nossos descendentes, aos nossos educandos e em alguns casos nas escolhas que efetuamos, porque assim talvez minimizem os danos na altura de formar caracteres e personalidades num futuro não muito distante. Cada um é responsável por si, mas todos somos responsáveis pelos nossos! E de que forma podemos tentar mudar a situação? Educando, conversando, ajudando, solidarizando-se e de forma geral incutindo valores morais e cívicos não apenas aos nossos mas também a quem esteja a necessitar.

Antes de somente apontarmos o dedo, lidarmos com as consequências, remediar situações, é importante também que todos nos preocupemos com a inclusão social, educação moral e cívica e em muitos casos, estar disposto a estender a mão a quem o necessite porque assim criamos pessoas melhores, sociedade saudável e um mundo muito mais seguro.

Caro delinquente, pense bem antes de tirar a vida a alguém não te esqueças de que quem com ferro mata com ferro morre e que do outro lado esta uma pessoa que luta pela vida para poder sustentar a si e aos seus com alguma dignidade e que subtraindo os pertences e ou a vida desta pessoa, os teus problemas não estarão resolvidos.