A pensar em si, que sempre teve curiosidade para saber mais sobre a rotina diária daqueles a quem chamamos de motoboys, entregadores ou relações públicas,  a JdB acompanhou o dia-a-dia de duas figuras que com as suas motorizadas realizam serviços de entrega para empresas e particulares.

Anastácio Marcelino trabalha como entregador na empresa ‘Tupuca’, a  primeira em Angola dedicada exclusivamente à entrega de refeições escolhidas a partir de um aplicativo de smartphone. Este que é ‘tupuquinha’ já há cinco meses realiza entregas nas zonas de Talatona, Benfica, Patriota e partilhou conosco um pouco da sua experiência.

Pelo rigor da empresa em que trabalha, foi obrigado a fazer uma formação em que se observaram todos os procedimentos de segurança aplicáveis para as vias da cidade capital. O Smartphone que usa para fazer as entregas é controlado pela central e fornece dados sobre a localização do cliente, porém reitera que todo cuidado é pouco e por seguir as normas de segurança evita entrar em bairros que estejam fora do seu radar, principalmente durante a noite e em época chuvosa.

Marcelino tem a sorte de ter boa relação com os clientes da sua empresa e diz que procura mantê-la sendo simpático e pontual. “Os clientes não gostam de esperar muito tempo pela comida e é exatamente isso que faz diferença no mercado, a pontualidade. De quarta-feira a Domingo é mais difícil porque a procura é muita, mas os meses de trabalho ajudam a ganhar rodagem”.

Celestino Augusto é um dos mais novos entre os 25 Tupuquinhas que cobrem a cidade de Luanda e para além de tentar ser expedito com as entregas, procura manter-se asseado para passar confiança aos seus clientes. “É muito importante que a pessoa que transporte a comida esteja com o cabelo arranjado, com as unhas feitas  e com um bom aspecto, isso agrada muito àqueles que encomendam as refeições”.

Uma das maiores vantagens deste ramo de trabalho é o facto dos motoboys poderem escolher os seus horários livremente, recebendo por cada entrega que efectuam. “Há alguns que têm outros empregos durante a semana e vêm apenas trabalhar aos fins de semana, esses recebem apenas pelo dia que trabalharam”, disse-nos Wilson Ganga, diretor da Tupuca. ”É vantajoso porque temos uma flexibilidade que nos permite controlar os nossos horários. Trabalhamos como se fossemos os nossos próprios patrões”, confirmou um dos nossos entrevistados.

Com todos os itens que têm necessidade de carregar nas suas viagens, tais como os capacetes, mochilas térmicas e terminais de pagamento automáticos (TPA), perguntamos se a mobilidade não ficaria condicionada, pelo que os tupuquinhas responderam que sempre procuram fazer-se acompanhar apenas do necessário para efectuar um trabalho com qualidade e eficiência.