Por: Michel Candembo
Imagem: Domineves Anthony 


A dinâmica de mercado actual faz com que as empresas tenham maior cuidado e sejam mais exigentes em relação às contratações e promoções dos seus quadros, e em consequência deste processo passa a ser cada vez mais raro encontrarmos jovens que com pouca idade demonstrem capacidade suficiente para estarem nos topos das grandes companhias. Pedro Soco é um desses raros casos, jovem executivo que com 26 anos de idade ocupa um lugar cimeiro numa multinacional, partilhou com a JdB a experiência que está a viver.

Pedro é director comercial da empresa de publicidade e gestão de empreendimentos ‘Comsoluções’ e contou um pouco sobre a sua trajectória até ao estágio actual. Por ocupar um cargo directivo com pouca idade, confessou que no princípio se sentiu receoso, porém hoje está mais habituado à dinâmica do seu trabalho e gosta tanto que se predispõe a “trabalhar até aos fins-de-semana”.

“Apesar de os funcionários serem todos mais velhos que eu, a minha relação com eles é muito boa”, confessa, “e é na base do respeito mútuo”. O director lembrou que as pessoas mais novas têm tendência a usar da intimidação e imposição da autoridade, “mas enquanto souberes te posicionar, dizer e fazer a coisa certa no momento certo, não haverá necessidade para isso”, adverte ao ser questionado sobre o problema da ‘idade versus autoridade’.

Quando perguntamos se a sua ocupação não interfere na dinâmica de vida normal de todo jovem, respondeu-nos que o trabalho veio apenas unir o útil ao agradável, uma vez que sempre gostou de sair e frequentar lugares diferentes, sendo que agora é obrigado a fazê-lo por imperativo da mesma, “como director comercial precisas de Network e precisas de estar nos sítios e falar com pessoas, algo que eu sempre gostei de fazer”, refere. “De uma forma geral houve um casamento quase perfeito da minha posição com o meu estilo de vida”, esclarece, e reconhece ainda, “a maior consequência que enfrento pelo meu trabalho é a dificuldade de dar atenção à família e às pessoas que realmente importam”.

Por razões profissionais e pelo facto de muitos dos seus amigos de longa data estarem ainda ocupados com a formação académica, Pedro foi naturalmente induzido a entrar em novos ciclos de amizades, maioritariamente constituídos por pessoas ligadas ao seu ‘business core’.

“Agora que melhorou de vida mudou de comportamento”, famosa frase que quase todo jovem em franca ascensão está condenado a ouvir e que quisemos saber de Pedro se no seu caso foi ou não excepção, segundo o mesmo, já foi vítima deste ‘clichê’ várias vezes e procura sempre ignorar ou responder em tom de brincadeira. “As pessoas que não me conhecem podem até afirmar que mudei, mas aqueles que sabem quem sou não partilham da mesma opinião. Acho que o sarcasmo é a melhor forma para responder a isso, porque há pessoas que falam com maldade” refere.

Para os jovens que queiram trilhar um caminho similar, Pedro deixou alguns conselhos pelos quais acha que estes devem pautar para uma carreira de sucesso. “É importante ter transparência; honestidade e afastar-se ao máximo do imediatismo”. Alerta que no seu ramo todos os directores estão habituados a lidar com comissões “e ficas muito exposto a grandes valores monetários com os quais nunca tiveste contacto antes, então se não tiveres uma postura íntegra é complicado”. Considera que a forma como os jovens vivem em Angola “é um pouco extravagante de mais. Saio, vou a lugares e vejo muita gente a mostrar coisas que estão longe da sua realidade”, aconselha e aproveita ainda a deixa para advertir os jovens a investirem na formação, nos conhecimentos gerais e educação, de modo a estarem preparados para quando as oportunidades chegarem.