Por: Adalmira Ekuikui  e Nelienge Sancho


A maternidade constitui um momento especial na vida das mulheres e como tal, todas as fases que antecedem o parto e o pós-parto merecem toda atenção e cuidado por parte de quem vai prestar o serviço. Assim, em Luanda os partos custam em clínicas privadas entre trezentos (300) e seiscentos (600) mil kwanzas, valor que pode variar (ou subir) de acordo as ocorrências durante o parto. Nos hospitais públicos, muitas são as reclamações vindas dos familiares e das parturientes em relação ao atendimento, mas tudo muda quando da parte do paciente vem a chamada “gasosa”.

Uma profissional da clínica Multiperfil, em Luanda, que pediu anonimato, explicou que para o parto normal existem dois pacotes. O primeiro está avaliado no valor de trezentos (300) mil kwanzas (parto normal), o segundo está a seiscentos (600) mil kwanzas (parto cesariano), porém estes valores podem variar, se a paciente precisar de um outro serviço que não esteja incluso no pacote.

A escolha pela unidade hospitalar onde se pretende fazer o parto está aliada a vários factores, conforme nos confirmou Maria de Lurdes, que fez tanto as consultas pré-natais, bem como o parto, na maternidade Lucrécia Paim. “apesar da longa distância que tive que percorrer, a minha condição económica permitiu que fizesse o parto somente numa unidade hospitalar pública, por ser mais económico”.

Sobre os ditos e não ditos do tratamento e a partilha de camas por várias parturientes nos hospitais públicos, para o caso particular da Maternidade Lucrécia Paim, Maria disse  que pelo menos nos dias em que esteve na maternidade não presenciou nenhum caso do género, “o que acontece, é que, logo que nos dirigimos para a sala de parto, podemos até estar sentadas na mesma cama duas a três grávidas, mas no momento em que entramos em trabalho de parto, a prioridade da cama é somente para quem terá o bebé e para quem ainda a hora do parto não chegar, aguarda noutra sala”, mas há mulheres, que afirmam que dar á luz em estabelecimentos públicos é o fim do mundo “quando eu fui ter o meu primeiro filho fiquei traumatizada com o trabalho das senhoras que prometeram cuidar de vidas humanas, mas que afinal dão um tratamento a uma mulher igual como se de um objecto qualquer se tratasse”. Por seu turno, Letícia Armando previne-se de viver momentos do género, economizando o valor cobrado pelas clinicas privadas, “quando pensar em ter outro filho vou preparar cerca de 700 mil kwanzas” o valor é avaliado nas rondas que fez em clínicas como Girassol, Sagrada Família e Endiama, onde os preços variam entre duzentos e setecentos mil kwanzas.

E os problemas não ficam por aí, todos os dias nos deparamos com situações diferentes que acabam por dar uma má imagem no que concerne a prestação e cuidados a se ter no momento do parto e depois dele, os exemplos mais ouvidos e que chamaram a atenção de parte da população, foram: crianças com duas cédulas de óbito, com datas e horários diferentes, morte de mulheres por negligência médica, material de trabalho esquecido na barriga da recém-parturiente, galhetas dadas por profissionais de saúde à mãe que anseia abraçar sua criança e tantas outras questões.

Evânia Martins é mãe pela primeira vez e lembra com alguma tristeza dos momentos que antecederam a vinda da sua menina, em função do tratamento que lhe foi dado, “lembro-me que a partir do momento que entrei para o hospital, pedi a Deus que tanto eu como a minha filha saíssemos vivas, as parteiras não querem saber do estado delicado em que te encontras, gritam contigo, ralham e isso só altera ainda mais o nosso estado, sem contar os gastos que tivemos que fazer para conseguir o material usado no parto”, descreveu.

Lembra que mesmo que algumas unidades hospitalares públicas não tenham uma taxa de cobrança para o serviço de parto, as famosas gasosas acabam por ser grandes despesas. “pedem tantos materiais que ficamos sem perceber a função das farmácias e tantos outros serviços administrativos nos hospitais e que deviam estar a serviço do utente”. Evânia referiu, entretanto, que apesar da falta de humanismo por parte de muitas enfermeiras, “algumas destacam-se pela sua bondade e o verdadeiro serviço ao próximo, honram a bata que usam e na melhor das hipóteses, sabem que na condição de mulher, estamos todas sujeitas a ser mães”.