Carta da Editora

No dia 14 do mês de Abril, comemora-se mais uma vez, o dia da juventude angolana. A data foi escolhida em homenagem ao comandante Hoji – Ya – Henda, um jovem guerrilheiro angolano, que dedicou os vinte e sete anos da sua vida à luta contra a ocupação colonial. Hoji – Ya – Henda faleceu há quarenta e sete anos na Província do Moxico, enquanto chefiava um ataque relâmpago ao quartel das tropas portuguesas e não pôde ver a proclamação da independência sete anos mais tarde. Mas, embora esteja fisicamente ausente, é sabido que a sua alma guerrilheira prevalece dentro de cada jovem angolano que ostenta dentro de si, o espírito da utopia.

É por esta utopia que consiste na busca contínua por dias melhores, resumindo-se muitas das vezes em arriscar sem medo e sem pudor que a edição deste trimestre da revista JdB traz como tema: A Vida Urbana. Mostraremos como sobrevivem os pupilos de Hoji – Ya – Henda numa Angola marcada pelo calar das armas e pela mudança brusca de valores e costumes, fruto da globalização e sede por desenvolvimento.

A propósito deste último factor, começamos por representar esta batalha diária com a história do jovem “Nhanga”, um rapaz que fugiu de casa aos quinze anos, apenas com a roupa do corpo e a esperança de construir uma vida melhor para si e os seus familiares. Traído pelas circunstâncias, acabou sendo amparado pelas ruas da cidade de Luanda onde vive até hoje. Nhanga, ainda que desiludido, sobrevive de forma honesta lavando carros e trabalhando como empregado de limpeza nalguns prédios da cidade capital.

Repleto de sonhos também vive o jovem kudurista “Pai Banana”. Natural do Moxico, durante a guerra refugiou-se na cidade de Luanda, onde vive até hoje, fazendo o estilo de música que o manteve longe da marginalidade. Tal como Franklin, Pai Banana conhece na pele as consequências dos olhares invasivos de pessoas que o conotam à estereótipos injustos, muitas das vezes dando-lhe um tratamento menos digno daquele que merece.

VENDA - RevJDB ed4 - CRONOLOGIA

Independentemente das vicissitudes, almejar o impossível é característica de todo jovem da banda, tal como faz “Déborah Cardoso Ribas” que não contentou-se em sonhar apenas, por isso, optou por partilhar os seus sonhos através da escrita. Esta partilha inspira-nos, e ninguém melhor do que “Marino Cutendana” para falar-nos disso. O lutador de MMA inspirou-se na coragem e determinação do amigo Demarte Pena e hoje também representa Angola na conhecida competição continental, EFC África. Ainda sobre jovens que na asa dos seus sonhos voaram para patamares que encheram o país de orgulho, na capa desta edição temos “Erickson Soares”, campeão africano de Xadrez. Ele tornou-se mestre internacional com apenas dezoito anos, e hoje com vinte e três é o único xadrezista angolano com gabarito para tornar-se Grande Mestre.

A verdade é que os jovens angolanos tĉm tentado dar os seus próprios passos mas para que o façam sem que nenhum seja em falso é sempre importante salientar a importância dos mais velhos. Pois, o que também vivemos hoje é uma crise onde os adultos já rotularam a juventude e a não ser que seja para criticar afastam-se de nós. Isso preocupa porque a juventude necessita da presença de pessoas que tenham uma experiência maior de vida, que possam servir de modelos e coloquem-nos como protagonistas do nosso próprio processo de educação, de crescimento e de desenvolvimento. Pensemos nisso!

Sem mais por agora, espero que gostem do que preparamos para vocês e não se esqueçam: debrucem-se na leitura.

Mila S. Malavoloneke