Por: Michel Candembo


Ser bem-sucedido nos negócios é sem sombra de dúvidas uma tarefa difícil em qualquer parte do mundo. Quando se é estrangeiro o processo de inserção nos mercados mais competitivos é ainda mais complicado, acrescendo a tudo isso o facto de sermos natos de um país como Angola, que adoptou há relativamente pouco tempo o sistema de economia de mercado. Trouxemos dois exemplos de cidadãos angolanos que vivem esta realidade.

Bernardino Viliana, de 26 anos, é licenciado em Administração de Empresas, pela Universidade Internacional de Gestão de Windhoek, Namíbia. É director-geral de uma empresa de produção audiovisual e marketing que existe legalmente há 2 anos, mas está concebida enquanto ideia há mais tempo, sendo constituída por 3 sócios, todos de nacionalidade angolana e residentes na capital namibiana.

 

Com trabalhos realizados em ambos os países (Angola e Namíbia), o mesmo preconiza “uma empresa internacionalmente reconhecida, com padrões universalmente aceites”, embora admita que na situação presente o maior reconhecimento vem de solo namibiano, onde realiza a maior parte dos trabalhos referentes à produção audiovisual.

 

Questionado sobre qual dos mercados encontram as maiores dificuldades a nível de competitividade e de condições de trabalho, disse que apesar de a Namíbia ser a sua “zona de conforto”, explica, “temos empenhado esforços para nossa melhor inserção (em Angola). As primícias daquilo que sou hoje nasceram em Angola, mas confesso que estou melhor inserido na Namíbia”, considera ainda que “toda estratégia empresarial que abarca uma visão internacional tende a proporcionar a empresa uma maior taxa de rentabilidade”. “A razão é simples, cinge-se em notabilizar os nossos serviços em Angola como também além-fronteiras visando acrescer a nossa produtividade sobretudo financeira”.

Com o maior propósito de se tornar líder na região austral de África a longo prazo, a Éden (empresa da qual faz parte),

presta serviços diversificados, como produção de conteúdos institucionais (vídeos corporativos e vídeos de apresentação empresarial); spots publicitários; produção de documentários e não só. Para si o grande segredo empresarial é procurar dar o ‘toque de mestre’ que cria a diferença entre a sua empresa e as demais concorrentes.

Venceslau Nicolau Barceleiro, também conhecido por ‘Dj Lau’, de 36 anos de idade, é coordenador de eventos desde 2013 na África do Sul, em parceria com uma sócia sul-africana. Os seus eventos são todos realizados em solo sul-africano, apesar de ocasionalmente fazer parcerias com djs residentes em angola que se deslocam para aquele país em nome da ‘Lau Productions’. Acredita que sua inserção no mercado angolano poderá vir a acontecer no futuro, apesar de saber que em termos comparativos temos um maior nível de exigência por cá, no que toca à organização e realização de eventos.

Apesar de desempenhar várias funções importantes na Cidade do Cabo, como a de Coordenador do Conselho da Juventude angolana; gerente de restaurante; director-geral da LAU Productions ‘Eventos & Turismo’ e outros, afirma, entre risos: “Ainda não tenho calos para me considerar um empreendedor de sucesso, mas com a graça do nosso Senhor Jesus Cristo conseguiremos”, confia. Para si o segredo para os jovens que querem empreender com sucesso é “ter muita paciência e não pensar no imediatismo”.

Vários outros angolanos têm dado provas da sua competência em terrenos mais ‘hostis’, maioritariamente nos negócios de hotelaria ; entretenimento; importação e exportação; artes e ofícios. Rose Palhares é um dos muitos exemplos de uma ‘mwangolé’ que enquanto estilista tem dado passos sólidos no cenário da moda em Portugal. Com uma loja online e a sua marca de roupas a ser vendida em dois pontos estratégicos na cidade de Lisboa (um dos quais no centro comercial Colombo), há quem diga que ao contrário do que acontece com a maioria dos produtos angolanos em Portugal, a sua grife tem grande aceitação e até é mais consumida por clientes portugueses.

Estes são alguns exemplos de cidadãos  de faixas etárias diferentes, com empresas a actuar em diferentes segmentos de mercados, que têm em comum o facto de serem cidadãos da mesma pátria e mostrarem que com a força de vontade e astúcia necessária é perfeitamente possível singrar em qualquer canto onde se tente.