Por: Redacção


O espaço ‘Café de Angola’, na Avenida 4 de Fevereiro, junto ao Ministério dos Petróleos (na Marginal), promove este sábado, 7,  entre às 15h e 18h, degustação do café nacional e produtos feitos à base do mesmo. Em alusão às festividades do dia mundial do café (no pretérito 1 de Outubro), a marca fará, em parceria com o Instituto Nacional do Café (INCA), e mais três marcas de produção nacional, uma tarde dedicada ao conhecimento exaustivo da bebida produzida a partir dos grãos torrados.

Numa conversa bastante esclarecedora com a nossa equipa, Carolina Manuel, coordenadora do centro de promoção de café, em nome da organização dirigida por Heriberto Gomes, explicou que além da promoção do café nacional, o espaço que está dividido em duas secções (o restaurante e uma espécie de ‘museu’ não oficializado do café) funciona como um restaurante normal no seu dia-a-dia, não obstante os vários produtos entre cocktails e outros servidos à base do produto ‘estrela’.

“De momento estamos apenas a trabalhar na promoção para o consumo, mas temos um projecto de nos inserirmos na parte da produção, porém temos antes que organizar estudos sobre a matéria”, revelou. “Estivemos, por exemplo, no Kwanza-Sul, para saber como é que anda a produção; como é que as cooperativas estão organizadas; se é viável trabalharmos com elas ou não e outros factores”, esclarece e informa de antemão que nos próximos dias, vão-se descolar ao Huambo para aferirem as condições de produção naquela província.

As informações que o centro tem disponibilizadas são fornecidas pelo INCA e pela Organização Internacional do Café, mas pretende que o apoio das instituições “tem que ser contínuo”. Angola tem exportado café enquanto matéria-prima, “e temos uma marca no momento que exporta o café já torrado (pronto para consumo) para os EUA que é um mercado muito fechado. Só por isso já se vê que o café nacional comporta qualidade e somos um dos únicos 5 países de África com condições climatéricas para produzir dois tipos diferentes de café (robusta e arábica), então temos muitas razões para investir”, informa.

Neste segmento de mercado, em termos de consumo e produção, Carolina diz que a maior parte da população angolana é jovem e a tendência é exatamente que o número de jovens consumidores aumente, por várias razões, “O INCA tem vindo a realizar um trabalho de incentivo, na distribuição de novas mudas da planta e outras acções importantes. Temos em Angola plantas com 70 anos ou mais, e estas não geram tanto quanto as mais recentes. O preço também estimula os produtores, uma vez que o nosso café está a ser cotado a 2 dólares no mercado internacional e 500 kz aqui. Incentivar os jovens a entrarem para o ramo da produção para que os produtores não sejam apenas os de idade avançada, também é uma boa medida”, explica.

Com aproximadamente duas dezenas de funcionários distribuídos entre a área de restauração e o centro, o projecto ‘Café de Angola’ tem organizado visitas de estudo guiadas para escolas públicas e particulares, em que explica a história gloriosa do café em Angola (em que já fomos um dos maiores produtores mundiais), com o objectivo de gerar uma mentalidade de consumo que nos permitirá atingir o nível de países como a Etiópia, por exemplo, em que boa parte da população trabalha neste sector, o que leva a coordenadora a admitir: “temos a intenção de fazer parceria com escolas e outras instituições em benefício do desenvolvimento deste mercado”.