Por: Neliengue Sancho

Imagem: Leni Staff


Um pouco por todo lado na capital do país é notória a falta de parques de estacionamento que atenda às exigências de moradores e trabalhadores e isso originou o surgimento de agentes  “empresários controladores” que com ajuda de pedras, pneus e ferros ocupam espaços nos principais lugares públicos alternativos  para cobrar entre 300 e 500 kwanzas, valor que quando não pago custa os vidros e pneus ou chaparia da viatura de quem se mostrar resistente.

Na baixa de Luanda, propriamente na Marginal, é o local de maior aperto em termos de estacionamentos, algumas pessoas que trabalham nas proximidades contaram-nos como tem sido o processo de estacionamento nos dias em que vão trabalhar.

Para Mateus Paulo, estacionar ali de segunda a sexta-feira “é um caso muito sério”. “Tens  duas alternativas: ou chegas mais  cedo que os empresários e donos dos espaços públicos (referindo-se aos jovens que praticam tal acção) ou então chegas tarde e pagas 500 kwanzas”, explica.

Senhora Margarida, que também trabalha no centro da cidade, referiu que os indivíduos que exercem a actividade de ocupar espaços com pedras, pneus e ferros, além de não terem o direito de cobrar o valor que recebem por cada viatura por se tratar de espaços públicos, também tratam com desrespeito os automobilistas “mas a culpa não é deles, é de quem de direito que permite coisas do género”, finalizou gesticulando com as mãos e mostrando-se insatisfeita com a situação.

Estes jovens estão um pouco por todo canto em locais com sede de grandes empresas. No largo ‘Serpa Pinto’, na Maianga, tentamos conversar com o jovem identificado por ‘Bicho-Mau’ que faz parte do grupo de jovens controladores, mas não tivemos sucesso. Aparentemente embriagado, o jovem pegou em uma pedra e por pouco não atirou à nossa equipa de reportagem.

Segundo relatos de pessoas que todos os dias enfrentam o problema de estacionamento na baixa de Luanda, há dias em que o indivíduo fica cerca de uma hora para conseguir um lugar para deixar o carro.
Muitos dos automobilistas já foram infelizes ao tentar desafiar os jovens que cobram 500 kwanzas por cada viatura “eles são capazes de te tirar a vida caso não pagues o valor estipulado, mas o mínimo em que passei foi ter que ver os vidros do meu carro quebrados por não ter pago” revelou Pascoal Lucas.

Todos com quem conversamos apelaram às autoridades para que resolvam tal situação, que passa por tirar os jovens da rua e da cobrança de espaços público, coisa que consideraram ser roubo, pois, para eles, estes “pequenos empresários” têm todos os dias lucros avultados ilicitamente.