Por: Adalmira Ekuikui e Albino Tchilanda


Se na banda, em companhia dos pais, dos amigos e dos  irmãos,  estudar já  é muito difícil, agora  imagine fazê-lo em terras alheias: longe dos “becos” do bairro ou das ruas ou avenidas, somando a saudade dos parentes, as brincadeirinhas com o irmão mais novo, os “insultos” do melhor amigo ou as aventuras com a namorada…6 dos 15 jovens angolanos, entrevistados pela JdB, estão a fazer  manchete nos jornais acadêmicos das suas universidades. Com notas máximas nos cursos de Direito e Engenharia, tidos como os  mais “difíceis” da actualidade.

 Apesar de todo esse vazio, os estudantes angolanos conseguem ser os melhores dos cursos com classificações de 19 e 20 valores nas universidades como Texas, Oklahoma ( Estados Unidos da América), na do Porto ( Portugal) e noutras paragens, cunhando seus nomes nos livros de honra dessas Academias.

Os  jovens da banda que arriscaram suas vidas em busca, não só de um canudo na diáspora, como também da sublime oportunidade de inscreverem seus nomes nos anais da história das mais prestigiadas universidades estrangeiras contaram à JdB como foram parar nesses locais e dos pinhos que têm de trilhar para conseguirem ultrapassar os  alunos de diferentes nacionalidades.

Amarilda Neves, Alberto Vinama, Essanjo Jorge, Kiazoa João, Belinha Sebastião e Bráulio Cardoso são  6 dos 15 jovens angolanos que estudam e fazem  manchete dos jornais acadêmicos das suas universidades. Com notas máximas nos cursos de Direito e Engenharia, tidos como os  mais “difíceis” da actualidade, vão confirmando a citação “Querer é poder” do filósofo inglês Francis Bacon”.

As justificações para preferirem o estrangeiro em busca da formação variam. Uns vão à custa dos encarregados, outros por não conseguirem custear seus estudos e por serem bons marrões recebem bolsas do  INAGBE ou da Sonangol para que possam explorar ainda mais suas capacidades e evitar o comprometimento do futuro, pois, com a formação o acesso ao emprego fica mais fácil.

Alberto Buta Vinama, 24 anos de idade, estuda Engenharia de Tecnologia Química na Rússia. O bolseiro do INAGBE confessou à JdB que não lhe foi dada a possibilidade de escolha pois a universidade de Luanda fê-lo por ele, mas revela que nos primeiros dias, teve que enfrentar muitos problemas, sobretudo a nível da língua.

Para o estudante, o ensino da Russia é muito forte e ágil, porque os professores são altamente qualificados e, maioria é PhD. Sem falar na facilidade de obter as declarações.

  “O positivo é a eficácia e rapidez com que os documentos e pedidos saem, sem contar com os professores, que são PhD. Claro que temos que romper várias barreiras econômicas e linguísticas”, disse.

 Outra estudante angolana no estrangeiro é Kiazoa João, que se encontra no último ano de Geofísica, na especialidade de Engenharia e Minas nos Estados Unidos. A Jovem diz não ver o dia para voltar à Angola. Já Amarilda Neves, 22 anos, é natural de Luanda, e estuda Direito em Portugal e diz ter escolhido Portugal por causa da facilidade de comunicação. “Falámos a mesma língua, por isso optei pela terra de Camões”, afirmou.

 Uns, por imposição do destino, acabam por perder suas vidas, como aconteceu no ano passado com um jovem estudante da Universidade de São Petersburgo, na Russia, todavia, o desejo em dar aos filhos o que não recebeu fazem-nos arriscar suas vidas.

Esses cérebros angolanos lamentam o facto de muita gente de fora não conhecer Angola, por isso, têm que dar no duro para não mancharem a imagem do país.

Entretanto, os estudantes elegem a atenção dos professores estrangeiros na transmissão dos conteúdos como uma das principais razões do sucesso.

“As dificuldades começaram desde o primeiro dia, tivemos que nos adaptar a tudo, desde a língua à gastronomia, agora com o problema das divisas a situação agudizou-se ainda mais, principalmente para os bolseiros, porque nem sempre têm pagas as suas contas pelas universidades tutelares”, sublinham.

 Para eles a aproximação dos professores e reitores acalentam os desesperos de muitos que, na ausência de valores são esforçados a fazer um ou outro trabalho pouco decente, como a prostituição.

Um total de 15 estudantes entrevistados pela JdB conseguiram a média de máxima de 4 valores, que corresponde a 19 ou 20 valores no sistema de ensino angolano.