O Facebook é com certeza um dos média sociais onde as pessoas têm maior liberdade para se expressarem, ou seja, em que o exercício da liberdade de expressão é cada vez mais tangível e democrático.

O Facebook dá-nos a liberdade de emitir as nossas opiniões e pensamentos como nenhum outro meio. Até os média tradicionais (Jornal, Televisão e Rádio), em termos de democracia mediática, foram ultrapassados pelo Facebook. Porém, era suposto que essa democracia do Facebook, que nos permite afirmar e discutir ideias e ideais, fosse o móbil para forjar a inclusão, o respeito pelo próximo e a diferença, a concórdia e a harmonia social.

Infelizmente a experiência tem-nos mostrado um cenário triste e retrógrado. O mau uso do Facebook, afinal, parece forja antes ‘doutores’ arrogantes que não respeitam a opinião alheia quando diferente da sua. Afirmam-se como seres que tudo sabem e propagam ‘verdades absolutas e irrefutáveis’.

Alguns opinion makers, diplomados ou não, com discursos pouco comedidos, têm feito do Facebook o palco da intolerância ideológica. Os seus discursos, despidos de fundamentação lógica, traduzem autênticas falácias que agridem a liberdade de consciência e expressão de quem consigo debate.

Muitos dos ‘doutores do Facebook’ discutem sem urbanidade e respeito à diferença. Fazendo ‘ouvidos de mercador’, com discursos cómicos, defendem ideias e ideais indefensáveis.

Muitos dos nossos ‘fazedores de opinião’ desconhecem o conceito de ‘humildade intelectual’. E quando se sentem fragilizados recorrem a ataques pessoais, ofendem e mancham o bom-nome de quem consigo interage. Algumas vezes, quando ‘rebatidos’, expõem-se ao ridículo. Assim, vão ratificando o que Umberto Eco dissera: “As redes sociais deram voz a uma legião de imbecis.”

Uns por terem estudado um ‘cambucado’, assumem-se como ‘vanguardistas do saber’ e no Facebook vendem uma postura presunçosa; criticam pessoas – quando deviam criticar acções ou os feitos destas – e espalham aos quatro ventos discursos incoerentes que desinformam e deformam quem os lê.

Caro ‘doutor do Facebook’, não use as redes sociais para exercer poder sobre as pessoas. O poder danifica as relações interpessoais. Seja coerente, pense claro e antes de responder lapide os seus argumentos. Medite sempre no pensamento de Desmond Tutu: “Meu pai sempre dizia: não levante a voz, melhore os seus argumentos.”

 Somos livres de emitir as nossas opiniões e pensamentos. O Facebook garante essa liberdade. Porém, é importante que se tenha em mente que o exercício da cidadania, o uso da liberdade de expressão e de consciência deve ser feito com respeito pela diferença de ideias e ideais, tal como aconselhou Ismael Mateus: “Argumente, não insulte. Respeite a opinião do outro e apresente a sua. Diga o que pensa sem precisar de rebater o outro. Se o fizer, seja educado. Pergunte-se se tem mesmo de usar essa palavra forte ou se consegue os mesmos resultados sendo mais elegante.”

Advogamos, parafraseando Onélio Santiago, que: “Diz o lugar-comum: não precisamos de apagar a luz dos outros para que a nossa possa brilhar. E mais: por mais inteligente que alguém possa ser, o seu melhor pode perder-se na arrogância, pois a humildade ainda é a melhor parte da sabedoria.”

Exímio ‘doutor do Facebook’, não se apegue ao ismo em que acredita como verdade absoluta, irrefutável e imutável. Os paradigmas filosóficos evoluem. As correntes ideológicas podem ser postergadas. Portanto, olhe o Facebook como o palco de uma aprendizagem constante. Como um meio de troca de saberes, experiências e informações. Seja culto para ser livre. Não estude para humilhar o próximo. O conhecimento deve ser partilhado com humildade e sabedoria. Aprenda que até o mais sábio precisa de reconhecer o pensamento alheio. Leia e reflicta as opiniões do seu interlocutor com cautela e urbanidade.

Abra-se à aprendizagem mútua e humaniza-se!