Por: Lourenço Mussango


Kkarlos Scesar nasceu na Lunda Norte, há 32 anos. É um bacharel em Gestão e Marketing e licenciado em cinema e televisão. Tem-se notabilizado na fotografia nacional, com grande destaque para o nu artístico. Na sua vida, a fotografia surgiu numa fase em que seguia artistas nacionais e com eles foi ganhando o gosto e a prática. “Mergulhei para um mundo que me ensinou a criar um outro mundo dentro de mim mesmo”.
Considera-se um fotógrafo divido entre o amor e o aprendizado. Por via do autodidatismo aprendeu a fotografar. “Depois de ter entrado para este mundo, aprendi que a arte não se ensina, ela deve partir dentro de nós. Hoje posso até mesmo defender que a fotografia não tem escola, tenho-me como exemplo de alguém que cresceu e evoluiu seguindo trabalhos de outros fotógrafos e artistas já com alguma bagagem e experiência”, revelou.
Fotografava de tudo um pouco quando começou. Porém, hoje está mais ligado a paisagem urbana e retratos femininos. “Depois de ter definida a linguagem fotográfica, a natureza, a arquitectura e os traços humanos são as minhas fontes de inspiração”, revelou. “Gosto de trazer uma perspetiva diferente do normal, por exemplo quando tiver que fotografar um edifício, faço-o num ângulo que mostre a sua forma geométrica irregular e numa perspectiva diferente”, fez saber.
Com o decorrer do tempo, Kkarlos Scesar foi bebendo de tudo um pouco e aperfeiçoando-se com os fotógrafos que seguia, e cada um emprestou-lhe um ângulo de abordagem fotográfica diferente. Nomes como Vadim Stein, Anton Belovodchenko, Desiree Mattson, Sebastião Salgado, Luaty de Almeida, Massalo Araujo, José Silva Pinto, Adalberto Gourgel e Pedro Soares são as suas grandes referências.
Enquanto fotógrafo, acredita que o nu artístico traduz a autoestima e confiança que as pessoas desejam transmitir com seus corpos. “Não existe uma única mensagem como tal para ser passada, faço o nu porque acredito na elevação da autoestima feminina, falo do respeito pelo corpo humano. Por ora, trabalho só com mulheres por acreditar serem a fonte de quase tudo nesta natureza. A mulher é vida e gera vida… daí ter mergulhado para o mundo do nu artístico feminino trazendo uma abordagem diferente e artística daquilo que podia ser uma fotografia vulgar”. Contou que como aprendiz mergulhou na parte mais “difícil” da fotografia, “pois fazer o nu requer muito respeito e confiança, hoje acredito que o nu artístico não foi uma consequência, foi apenas o despertar do lado artístico para que pudesse transmitir algo diferente no que toca a fotografia”.
À semelhança do Kuduro e outras manifestações artísticas que na sua fase embrionária tiveram rejeições até as pessoas educarem-se e aceitarem-nas como sendo arte,  Kkarlos Scesar acredita que a mente do angolano não é estática, e que com o caminhar dos tempos o nu artístico poderá ser aceite como sendo arte e não pornografia. Questionado se aceitaria pousar como modelo para uma sessão de nu artístico, confessou que sim.
A fotografia fê-lo conhecer-se melhor, despertou o seu lado aventureiro, conhecer lugares e aprender a amar mais ainda Angola. Teve a oportunidade de participar numa das edições dos prémios Sirius realizados pela Deloitte. Considera-se um “agente duplo”, pois além da fotografia é profissional em outras áreas. “A fotografia é daqueles hobbies que gera alguns trocados para abastecer o ruca”, disse sorrindo.
Sonha em realizar uma mega exposição de nu artístico e poder fazer com que a sociedade comece a olhar para a fotografia do nu como arte e não pornografia.