Por: Albino Tchilanda


As poucas aulas práticas e mesmo a falta delas nas universidades do país é apontada como a principal razão que leva as empresas estrangeiras que actuam em Angola no ramo petrolífero não contratarem técnicos nacionais, segundo revelou à JdB, na passada semana, o presidente executivo da petrolífera Aker Solution, Eagly Boiê. O responsável contou que sua empresa tem aberto as portas para muitos engenheiros angolanos, mas estes depois de cumprirem com a primeira fase dos testes, que é a parte teórica, já não conseguem passar a fase seguinte, a prática.           

“A nossa empresa tem recebido jovens engenheiros angolanos, mas muitos deles como são recém-formados só conseguem passar no teste teórico e isto faz com que as companhias não os contratem”, revelou.

Eagly Bouiê fez tais revelações à JdB aquando da cerimónia de entrega simbólica das chaves dos três laboratórios à Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto.

O responsável lembrou que é por esta razão que sua organização disponibilizou os 5 milhões de dólares para compra de equipamentos e minimizar tais dificuldades já que os jovens justificam para tal debilidade a falta de laboratório para as aulas práticas.

Os professores que leccionam nas áreas das engenharias também revelam pouco conhecimento prático, revelou, por isso Eagly Bouiê adiantou que o próximo passo será a contratação de técnicos estrangeiros para treinarem os professores nacionais e, só assim poderá facilitar a transmissão dos conhecimentos, mas não adiantou para quando esta contratação.

 “Agora a grande dificuldade está no manuseio dos equipamentos, mas vamos mandar vir para Angola técnicos noruegueses”, adiantou.

Firmino Chiquengue é técnico de laboratório e tratamento de mineiro da faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto há 18 anos. O engenheiro contou que dos estudantes que tem recebido em seu laboratório alguns mostram interesse em ficar mais tempo no laboratório, mas não podem porque as aulas teóricas ocupam quase todo o tempo.

“Muitas vezes os estudantes são obrigados a abandonar o laboratório, porque o professor de aulas teóricas está na sala. Eles ficam aqui 1 hora e meia. As aulas teóricas ocupam quase o tempo todo”, disse o engenheiro.