Por: Lourenço Mussango


Jerónimo Félix, natural de Luanda, é um jovem estudante de Engenharia de Electrotecnia e Telecomunicações, que vem granjeando nome e respeito nas lides da fotografia nacional. Jovem da banda simples, calmo e dedicado no que faz, que tem como foco ser feliz, realizar seus sonhos, captar e aproveitar os bons momentos que a vida proporciona.

Começou a fotografar no final de 2012, quando trabalhava como Gestor Comercial em uma empresa prestadora de serviços. Numa noite, enquanto se preparava para fechar a empresa, lembra-se de ter visto três câmeras fotográficas. “Lembro-me de manusear as duas Kodak, mas quando segurei a Nikon pensei: ‘vou levar essa câmera’. Passei a noite toda acordado tentando entender aquela câmera. Dias depois, procurei aprender mais sobre fotografia e posteriormente me juntar aos bons. Então, um certo dia acordei e apercebi-me que tinha aprendido tudo que eu podia, e estava na altura de tentar segurar em uma câmera e ser fotógrafo”, disse.

Jerónimo define-se como fotojornalista. Quando começou, vivia fotografando a natureza e coisas do quotidiano. “Hoje em dia posso dizer, que sou um fotógrafo completo. Com uma câmera, coloco na mesma linha, a cabeça, o olho e o coração”, considera, “para posteriormente, com a delicadeza com que trabalho, produzir fotos artísticas e conteúdos jornalísticos”, revelou.

O jovem gosta de fotografar factos do quotidiano luandense, a natureza, as noivas e fazer sessões fotográficas. Katio Oliveira, Max Foncesa, James Nachtwey, Steve Mccurry e Henri Cartier-Bresson são as suas referências no mundo da fotografia. “Max Fonseca, fotógrafo brasileiro, abriu-me os olhos para fotografia artística. O modo como ele vê e faz é fenomenal. Com ele aprendi muito, e uma das lições é: não importa quanto tempo passará, se fores bom artista, mesmo depois de morto a tua obra se perpetua”, salientou.

À semelhança de Jemes Nachtwey, o objectivo de Jerónimo Félix, enquanto fotojornalista, é marcar presença nos meios de comunicação social. “Não pretendo que as minhas imagens sejam somente vistas como obras de arte. São uma forma de comunicação. Pretendo com o meu trabalho levar a realidade diária mais próxima do cidadão. Procuro captar momentos, prozudir imagens que permitem mergulhar mais fundo na realidade humana. Questionar a existência”.

Com dois cursos de Fotografia e um de Introdução ao Photoshop, Félix, por causa da fotografia, hoje, vê arte em lugares e momentos que para um olhar normal, são apenas lugares. “Penso que depois de me tornar fotógrafo, minha forma de ver o mundo mudou. E sinto que preciso passar algum tipo de mensagem com o que faço, por isso fotografo. Sinto que usando a minha a arte, posso com as minhas obras, dizer sem falar nada”, sublinhou.

Para este, existe uma diferença entre nude e nu artístico. Na sua opinião, no nu artístico não há vulgaridade e sim mostra-se a essência do corpo, a arte que muita das vezes são expressadas no olhar, semblante e na performance do corpo. “O nude é fotografia do corpo nu, mas sem respeitar as regras da fotografia sensual, do nu artístico. Deixa-me lembrar que o nude pode ser profissional ou amador”, observou.

Depois de ter participado em vários concursos nacionais e internacionais de fotografia, Jerónimo sente-se cada vez mais motivado e maduro. “A fotografia tornou-me mais homem. Hoje em dia encaro a vida sem medo,  face to face”!

Ter obras apreciadas nos quatro cantos do mundo é um dos maiores sonhos de Jerónimo Félix. “Com a fotografia, quero mostrar dois lados de uma única África. Quero dizer ao mundo que, apesar dos pesares, o continente africano é abençoado e protegido pelo Criador”, terminou dizendo.