Texto: Adalmira Ekuikui

Imagem:  Emílio Paim


A JdB começa com um novo espaço (página) com retratos e reportagens sobre figuras que já fizeram muito sucesso anteriormente, marcaram no país nas diversas áreas da sociedade em que se destacaram: artes, desporto, sociedade, cultura, política, etc, mas que agora estão algo desaparecidas dos espaços em que nos acostumaram.

Bergani António de Pina Morais ou simplesmente ‘Game Wala’, da Maianga, em Luanda, tendo  parte da família do Kwanza-Sul, é pai de dois filhos e de momento encontra-se solteiro.

Em entrevista à JdB, Game Wala justificou sua ausência no mercado da música, falou-nos das lembranças que guarda da carreira e dos projectos futuros.

O cantor justifica seu desaparecimento no mercado da musica com “uma pausa”, aliada a sua saída da produtora Bons Ventos, do rapper Mister K. “Desde que saí da Bons Ventos Produtora decidi parar por algum tempo, para me dedicar a família, isso porque a minha vida era mais viagens atrás de viagens”, disse e alerta, “para quem pensa que desisti, eu ainda não desisti até porque gosto de incentivar e dar conselhos por meio das minhas músicas”.

Nesta pausa o artista diz ter recebido convites de várias produtoras, mas a recusa das propostas deveu-se ao facto de não estar de acordo com as mesmas. Em 2014 fez um contrato no Brasil com a produtora Gricassua, chegou a gravar várias músicas e o objectivo era de lançar um álbum, “postos lá também não fui de acordo com a proposta deles e tive que voltar, mas com músicas novas”, revela. “Não tenho músicas promocionais, mas tenho novas e ainda continuo a trabalhar. Só não as tiro porque penso que me falta um apoio, um patrocínio que esteja disponível para avançar com o projecto que tenho”, apela.

Durante o tempo em que esteve fora dos palcos o autor do sucesso “Kassumuna”, que se considera ser uma marca, justificou a sua ausência porque deu continuidade a formação, “os estudos constituem um dever revolucionário, isso é para toda humanidade, dei continuidade aos meus estudos e não só, também dediquei-me ao meu trabalho. Parou uma coisa mas funciona a outra”.

Não considera os fãs como seus admiradores, mas sim das suas músicas, e é assim que prefere considerar “eu nem sequer tenho noção da quantidade de pessoas que gostam do meu trabalho, aonde passo há sempre alguém a cobrar pelas minhas músicas”, afirma, “dizem que o meu kuduro é diferente e não tem muita confusão e tenho certeza que muita gente gostaria de voltar a ouvir-me, pessoas de Portugal, Inglaterra, Moçambique e de outras partes onde passei. Eles são o motivo da minha existência”, confessou.

Não está no plano do kudurista alterar seu estilo musical por ser algo original “e só do Game Wala”, “alguns músicos têm seguido a mesma linhagem, mas os estilos diferenciam-se muito do meu, mas acredito que às vezes é preciso diversificar no mesmo estilo mas com tonalidade diferente”. Guarda grandes lembranças do Show do Heavy C, no Cine Atlântico, em que foi um dos convidados, a recepção do público foi “inesperada”, recorda.

A avaliação que faz da música feita hoje é muito relativa, por algumas letras “retratarem apenas assuntos banais”, “precisamos de músicos que façam músicas com mensagens construtivas, e vejo muita juventude a se perder e em seguida aparecem mais músicos a cantarem sobre álcool, mil vezes fazer algo que incentiva a juventude na positiva”.

Apesar da sua ausência nos palcos, o kudurista garantiu que continua a manter encontros com os cantores que têm feito sucesso no mercado. Revelou que em breve lançará uma música que acredita que terá “uma boa recepção”, “com bons conteúdos” e só depois o álbum.