O mês de Abril é especial para a juventude angolana, em homenagem a José Mendes de Carvalho ‘Hoji Ya Henda’ que num dia 14 deste, em 1968, morreu em combate pela luta de libertação nacional. Em alusão à efeméride, a JdB leva ao conhecimento dos leitores uma das figuras angolanas de maior destaque nos últimos tempos, no que diz respeito ao associativismo juvenil. Geraldo Wanga Salombongo Ferreira é presidente da Associação Nova Aliança dos Taxistas de Angola (ANATA) que em todo país conta com aproximadamente 24 mil inscritos, distribuídos por Benguela, Cabinda, Kwanza-Sul, Huila, Huambo e Luanda.

Na manhã de quarta-feira, com um sol promissor, prestes a emitir a habitual radiação e algum prenúncio de enxurrada, encontramos no escritório Geraldo Wanga, com uma calorosa recepção, que nos acomodou e começou por responder que, afinal, nunca sonhou propriamente em liderar um grupo associativo com tamanha força social e que as circunstâncias da vida o foram levando para este caminho.

Depois de já ter sido responsável juvenil para o município de Belas em representação de um partido político, abdicou da vida política no momento em que se converteu ao cristianismo, por achar haver incompatibilidade de funções.

Em 2014, enquanto trabalhava como taxista, sentiu a necessidade de fundar uma associação que o representasse condignamente por não concordar com a ideologia nem com a dinâmica de trabalho da associação já existente. “a associação que havia na altura, não estava em condições de responder as nossas inquietações, estava descentralizada e se um taxista tivesse um problema no Zango tinha de se deslocar até ao Cazenga e isso não fazia sentido, sem contar que o senhor fulano era o presidente, o filho era o vice, a nora era funcionária e assim sucessivamente”, lembra que foi um dos motivos que o levaram a criar a actual associação, “não podíamos aceitar isso e em 2016 conseguimos legalizar a ANATA”.

Membro co-fundador dos ‘Storm’, um dos staffs de taxistas mais antigos e conhecidos da cidade capital, trabalhou na ideia da criação com os seus companheiros de estrada com quem falava nos almoços e encontros pelas paragens e mostravam o mesmo descontentamento.

“O taxista é o profissional da condução, é o indivíduo que acorda  todos os dias às 5h00 da manhã para ligar o carro aquecer o motor e entrar na via”, apresenta a profissão que muitos ainda não valorizam. “Não posso aceitar quando o meu ex-representante diz que o taxista é o dono do carro, e que por ter x carros na via considera-se taxista, portanto a única diferença entre as associações está na ideologia, mas não há inimizade nem hostilidade, pelo menos eu não cultivo isso”, explicou sobre a corrente ideológica da associação que preside mostrando não haver rivalidades entre ambas.

Para Geraldo, a relevância social é notável e o trabalho está a surtir efeito, uma vez que criou entre o grupo de associados um departamento especial de apoio ao trânsito, uma brigada dedicada à doação de sangue e reintegração social de jovens por meio da música e outras actividades artísticas e, segundo nos revelou, foi também a ANATA que se predispôs solucionar em conjunto com as autoridades competentes o problema  das paragens e a subida do preço dos táxis.

Dentro dos valores pelos quais uma instituição de cariz apartidário deve primar, o líder limita-se afirmando que tem boas relações com as instituições do estado e que até mantém contacto telefónico diário e reuniões periódicas com o assessor do governador de Luanda e membros do comando da polícia na capital.

“A nossa associação mantém boas relações com o Estado. O que inquieta algumas pessoas é o facto de não solicitarmos apoio financeiro, pensam que o dinheiro vem de partidos políticos, mas não é nada disso”, tranquiliza, “temos muitos associados e dá para realizar as nossas actividades com as doações deles, explicou. “Ainda no fim de 2016 fizemos um levantamento dos colegas falecidos e fomos às ruas pedir aos nossos colaboradores para doarem dinheiro no sentido de fazermos cabazes para as famílias enlutadas, fizemos uma coisa bonita e conseguimos oferecer cabazes bem recheados”, revela.

Profissionalizar a candonga

Com um facturamento de aproximadamente 600 milhões de kwanzas diários, só nos 40 mil candongueiros a circular em Luanda, a actividade de táxi é uma das que maior fluxo financeiro gera no país, pelo que o responsável da ANATA acha que já está na hora de a profissionalizar adquirindo todos os direitos e deveres que o Estado confere às demais ocupações.
“É possível formar-se a fazer táxi” refere, para quem acha que não poderia consolidar os estudos exercendo a profissão, “eu entrei para a faculdade a fazê-lo e se os taxistas antes não viam futuro na profissão, tudo que ganhavam hoje gastavam hoje, a Nova Aliança veio mudar esse paradigma e já se vê um número considerável de taxistas no sistema de ensino” afirma. Eles são boas pessoas, só precisavam de um líder que fosse ao encontro deles e traçasse um perfil adequado de se estar na sociedade, as ‘mbaias’ e música excessivamente alta também diminuíram gradativamente”.

Com reuniões quinzenais e um vasto leque de actividades sociais marcadas para 2017, a ANATA dá demonstrações de que tem tudo para continuar a crescer enquanto associação.
Para os jovens que seguem e acompanham o seu trabalho, Geraldo Wanga aconselha a nunca desistirem dos seus sonhos e lutarem sempre na perspectiva de os alcançar.