Por via dos custos elevados dos bens e serviços no nosso país, a inflação tornou-se numa das palavras mais frequentes na nossa linguagem económica. A contínua subida de preços e o custo exagerado de determinados bens e serviços em relação ao valor real dos mesmos, faz com que muitos afirmem que estamos perante a uma das maiores inflações do continente. Mas o preço elevado dos bens e serviços é realmente devido à inflação?

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Antes de mais, deve-se dizer que estamos perante uma inflação quando se verifica um constante e prolongado aumento dos preços dos bens e serviços, com consequente diminuição do poder de compra dos consumidores. Em outras palavras, quanto mais vai aumentando o preço de um bem, menos o consumidor terá capacidade de compra de tal bem.

Uma das causas principais da inflação é a presença elevada de notas no mercado em relação à produção interna de bens e serviços. É quando tem mais dinheiro a circular no país em relação à quantidade que efectivamente precisa-se. Se a produção é baixa e tem muito dinheiro a circular no país, a tendência será usar este dinheiro para comprar mais bens e serviços. E como a demanda de bens e serviços será superior à oferta, a consequência natural será o aumento dos preços.

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Por exemplo, no ano 2010 emitiram-se 100 notas de 1.000,00 Kz, para um total de 100.000,00 Kz, e no mesmo ano produziu-se 1000 Kg de arroz por 100 Kz o quilo. Se no ano seguinte emitirem-se 200 notas de 1.000,00, teremos em circulação 200.000,00 Kz para a compra de 1000 Kg de arroz. Os vendedores de arroz, com mais dinheiro a circular no mercado, ver-se-ão impulsionados a aumentar o preço do arroz, porque aumentou o dinheiro para compra do arroz mas não aumentou a produção anual de arroz. Se o preço do quilo de arroz aumentar para 150 Kz, estaremos perante a uma taxa de inflação de 50%.

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Uma outra causa, que aproxima-se mais à nossa situação, é o aumento dos preços dos bens importados. Sendo os produtos finais, os produtos intermédios ou a matéria-prima normalmente importada, a sua transformação e consequente venda será sempre de um valor superior ao custo médio do produto ou do serviço num país que não é obrigado a importar.

Neste momento a nossa taxa de inflação encontra-se pouco acima dos 7%, não sendo considerada uma taxa muito elevada, segundo os parâmetros internacionais de avaliação. No Zimbábue, por exemplo, a taxa de inflação actual é de 89700000000000%, onde um bem que no ano passado custava 20 dólares zimbabueanos, hoje pode custar mais 20 milhões de dólares zimbabueanos. Uma hiperinflação. No Japão a taxa de inflação actual é de 0,58%. Pode se dizer que neste país os preços dos bens e serviços praticamente nunca alteram. Muito pelo contrário. Em alguns países como o Japão, com o passar dos anos os preços dos bens e serviços vão baixando. À este fenómeno é atribuído o nome de deflação.

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A deflação acontece quando se verifica o efeito contrário da inflação, isto é, uma constante e prolongada diminuição dos preços. Contrariamente à inflação, uma das causas da deflação é causada pelo excesso de produção e a baixa circulação monetária. Se produz-se muito e há pouco dinheiro a circular, a consequência é a baixa geral dos preços dos bens e serviços.

No nosso país, a causa principal dos preços elevados dos bens e serviços não recai somente sobre a taxa de inflação, que como vimos acima, não é muito elevada, mas é sobretudo devida à importação dos bens intermédios, da importação da matéria-prima e da importação do produto final, sendo poucos os produtos produzidos a 100% cá.