Por: Michel Candembo

 

O medo de falar em público ou ‘glossofobia’ assola muito mais pessoas do que a maioria de nós pode imaginar. É comum depararmo-nos com situações em que temos de fazer uma apresentação para um determinado público na escola, no trabalho ou em outras circunstâncias. A maioria dos oradores experientes, mesmo já tendo ‘bagagem’ ainda sente um frio na barriga, outros menos entendidos na matéria não suportam sequer a ideia de se apresentarem para um público alargado.

António Paciência é um dos pioneiros do Spoken World em Angola (uma apresentação artística em que os poemas, histórias e letras de músicas são faladas), apesar de já ter uma grande experiência com plateias, reconhece que o medo é quase inevitável “mas é muito necessário para dar espontaneidade e razoabilidade ao discurso”, entende.

António acrescenta ainda que o medo é de certa forma uma manifestação de respeito pelo público, e deixa alguns conselhos que devemos seguir para nos tornarmos mais confiantes, nomeadamente: dominar os assuntos a serem apresentados, conhecer as entradas e as saídas das palavras, controlar a respiração,  fazer uma leitura visual das reacções de quem assiste e medir a tensão do momento.

Bruno Arrobas (na foto) é outro que pela sua ocupação de palestrante é obrigado a falar constantemente para públicos alargados, e partilha sua experiência começando “nunca tive medo como tal”, revela. Mas o também jornalista reconhece que “ocorre na verdade” uma certa ansiedade antes de começar a apresentação, “sempre tive liberdade para falar de todos os assuntos em casa e quando fosse para a rua sentia-me confiante e falava com convicção”, partilhou.

O caso de Patrícia Fernandes e de Franklin Tchilunda é semelhante, mas com contornos diferentes, uma vez que Franklin sempre foi tímido a ponto de não conseguir falar nem com os colegas na sala de aulas, mas superou por causa das apresentações que fazia nas cerimónias da Igreja Adventista do Sétimo Dia, em que, segundo nos conta, tinha muitas vezes que falar para plateias de até mil pessoas. Patrícia, por sua vez, ainda não conseguiu superar totalmente o seu medo, mas garante que já melhorou “muito” desde a infância e espera continuar a fazê-lo.