Por: Albino Tchilanda


Miguel Pereira Agostinho, de 24 anos, vive na aldeia de Kamuanasala, no município de Nambuangongo, província do Bengo, desenvolveu um projecto que pode ajudar os empresários locais a substituir correntes hidroelétricas por frutas estragadas, e usa o mamão para as cargas negativas. Dentre outros protótipos em carteira, o ‘Cientista’, que trabalha com 19 crianças, tem o balde de lixo inteligente e programação dos sensores a qualquer tipo de cor.

Miguel Pereira Agostinho, filho de pais camponeses. Vive na aldeia de Kamuanasala, no município de Nambuangongo, província do Bengo, é o segundo dos 15 irmãos. Terminou o ensino médio em 2014 na especialidade de Bioquímica, na escola politécnica do Bengo, por falta de possibilidade financeira nunca conseguiu ir a uma faculdade.

O ‘Cientista’, conforme é conhecido na aldeia devido suas aventuras, desenvolveu um projecto que pode ajudar os empresários locais a substituir as correntes hidroeléctricas (corrente de energia proveniente das barragens), por algo que eles próprios produzem, as frutas podres, impróprias para o consumo humano.

Cá na província há muitos empresários a investirem na agro-indústria, o meu projecto vai ajudá-los a usarem as fontes alternativas vindas dos excedentes de produção que eles mesmos fazem”, explicou o inventor.

O jovem aldeão parece ter calculado muito bem os dias da feira, só assim se podia justificar a longa caminhada que a JdB teve de percorrer para convencer o ‘Cientista’ a expor suas “loucuras” na FEIBA.

Por dois dias seguidos a JdB teve que enfrentar o trilho de 17 a 23 quilómetros, de Caxito à Nambuangongo, propriamente na localidade de Kimuanasala e, finalmente, encontrou o famoso cientista. Quarto cheio de “confusão” lâmpadas aqui, livros acolá, lá estava ele pronto a partir para a feira, que já vivia seus últimos momentos.

Ao longo do caminho o jovem contou que vive nas zonas rurais, e na sua aldeia a corrente hidroeléctrica nem sempre chega, então pensou em produzir energia a partir de bio-combustível, energia da biomassa, para facilitar o processo de inovação tecnológica nessas áreas.

Usa a laranja, jinguengas, limão por conterem ácidos cítricos e elementos químicos, tal como a pilha das rádios.

“Quando provei pilha uma vez, senti o mesmo que sentia quando comia a jinguenga e a laranja e outras frutas contêm acido acéptico, então pensei… Que tal juntar isso num copo com água com um conversor, seguindo as formulas químicas e físicas que descubri”, indagou-se.

A seguir a pergunta, a resposta foi afirmativa. Desde aí o jovem tornou-se conhecido na sua aldeia, mas lamenta o facto de ninguém querer apoiá-lo no projecto que, segundo prevê, pode ajudar as zonas rurais, onde nem sempre chega a corrente hidroeléctrica.

O jovem inventor explicou que sua invenção podia fornecer corrente eléctrica até 400w, basta ter um “bom dispositivo” de conversão e transmissão da corrente e não se precisa muitos aparelhos. bastam  frutas estragadas, condutores eléctricos, como fios, cabos, lâmpadas, tomadas, fichas eléctricas etc., o resto são fórmulas químicas e físicas que ele próprio desenvolveu.

“O conversor, que reduz a intensidade da corrente, permite buscar cargas nas frutas e lança para um corpo eléctrico qualquer, como ficha, lâmpada, telemóveis, televisor ou computador”, esclareceu.

Segundo o cientista, que acabaria por “roubar” a atenção de todos os feirantes, o ideal é usar ácido sulfúrico ao invés do conversor, mas como não tem possibilidade para adquirir , teve que arranjar o conversor como alternativa.

Mas a combinação não termina em frutas ácidas. O jovem, que querer ver sua aldeia iluminada, busca no mamão as cargas negativas.

Para o antigo estudante do Instituto Politécnico, no Bengo, sua inovação veio para mostrar que em Nambuangongo também existem jovens que querem formar-se nas áreas das engenharias, no entanto lamenta o facto de nunca ter sido aproveitado, por isso  exorta o governo da província do Bengo a colocar uma instituição especializada no ramo.

“Quero dar continuidade na minha formação, mas cá na província não tem Ensino Superior em Engenharia. Desde 2014 que terminei continuo em casa, a desenvolver os meus projectos, que nunca foram aproveitados. Já inventei o balde de lixo inteligente”.

O balde de lixo inteligente, explicava, acciona o alarme quando alguém coloca os resíduos no chão. Tem outros projectos interessantes, como o de programação dos sensores à qualquer tipo de cor, como este”, passava o chapéu sobre os sensores e as lâmpadas acendiam.

Postos na feira a os repórteres da JdB ensurdeciam-se de gritos a assobios do público que pareciam já esperar pelo cientista.

Em lágrimas, de emoção, o jovem cientista de Nambuangongo confessou-nos que não consegue ficar por muito tempo ao lado das pessoas, quando sabe que que lhe vão  aplaudir. Anseia encontrar alguém que lhe possa patrocinar um dos seguintes cursos de engenharia: Química Nuclear, Mecatrónica, Automóvel, Robótica, Matemática Digital, Ciência da Computação.

O criador, que se consolava nos ombros do repórter JdB, balbuciando, confessou ter medo de acabar mal, sem um futuro. “Se eu acabar mal, vou  desiludir muita gente na comunidade, principalmente  as 19 crianças com quem trabalho no meu laboratório”, concluiu em lágrimas.