Por: Albino Tchilanda


Depois de se ter refugiado na Namíbia, aos 16 anos, somente com a roupa do corpo e apenas a 6.ª classe feita, devido a situação de guerra em Angola, em particular sua terra, Cunene, o Jovem Orlando Chelekene, de 36 anos de idade,  voltou 11 anos depois à terra que o viu nascer e criou a maior empresa de electrónica e prestação de serviços, com intuito de ajudar no desenvolvimento da província e garantir emprego para os jovens estudantes locais, mas o visionário pretende expandir seus serviços por Luanda.

“Invisto na província porque quero ajudar os jovens daqui. Se investisse em outra terra teria mais lucro”, confessa. “Só não o faço porque quero ajudar a minha terra a se desenvolver”, justificou.

O jovem recorda-se de quando eram retirados da sala de aula para ir à tropa. Emocionado, lembra que foi o único dos irmãos e primos que sobreviveram da guerra, graças o refúgio à Namíbia.

Apenas com a roupa do corpo e com a 6ª classe na altura, entra na Namíbia.  Chelekene teve de frequentar as lições de illiteracy à noite (alfabetização) para, no período da manhã, procurar biscates e poder sobreviver.

Apesar de na altura não ter idade para frequentar o ensino nocturno, pois este era reservado apenas aos adultos, sua força e determinação comoveu e convenceu o director da escola a aceitá-lo e foi aí que retoma os estudos, em 1998.

Tempo depois consegue um emprego como ajudante de barco na cidade de Walvis Bay. Outra vez, devido a dedicação e pontualidade, os proprietários pagaram-lhe a formação média-técnica em reparação de barcos. Mas ainda sem identificação, pois, os documentos havia deixado em Angola, mas a vontade de ser alguém na vida era superior que o levou a forjar e usar os documentos do primo que possuía identidade namibiana.

O truque, afinal, resultou. Termina o médio e se inscreve no curso de Engenharia Informática, curso que lhe viria dar notoriedade hoje.

De volta à Angola em 2008, Orlando tinha que lidar com o problema de quase a maioria da juventude, o desemprego e reconhecimento dos certificados e diploma. Sem dinheiro para o fazer, Chelekene pôs mais uma vez sua mente a pensar: acordar as manhãs para andar de rua em rua  à procura de um computador para reparar e ter os valores para o reconhecimento dos documentos.

Influenciado pela cultura namibiana, o jovem era chamado de namibiano. Sua inteligência chamou a atenção do governo da província, que o confiou com a reparação de alguns computadores das administrações do Cunene. Desta reparação recebeu 300 mil kwanzas, valor que, recorda com sorriso no rosto, comprou um contentor e dois softwares, um  XP e um Vista e mais  uma chave de fenda e foi com esses meios que abriu uma  pequena oficina e desde aí só vem somando sucesso.

Porém, como a província era das mais assoladas pela guerra havia poucos jovens para consumirem seus produtos, por isso não deixou de vagabundear de bairro em bairro à procura de computadores para reparar.

Com isso as coisas pareciam começar a tomar o rumo certo, foi então que em Novembro de 2009, presenteia-se com um carro, com volante à direita, estilo namibiano. Com esta viatura o empreendedor pisava Ondjiva adentro em busca de ofícios.

Embora tenha conseguido o meio rolante, Orlando continuou a funcionar no pequeno contentor nas imediações da actual Mediateca provincial do Cunene. Como um bom visionário, o empresário mudou de estratégia, deixou de correr de bairro em bairro começou a andar de casa em casa, sempre atrás de mais um computador para reparar.

No meio de todo esse sucesso, o jovem rejeita qualquer possibilidade de deixar de ser empreendedor e passar a ser empregado, pois com sua empresa consegue garantir o salário a mais jovens da sua terra.

Verdadeiro Mundo dos Computadores”

Com os 3 milhões que recebe de financiamento do Banco BPC em 2011, o visionário consegue erguer os alicerces da sua empresa “Verdeiro Mundo dos Computadores”, situada na capital do Cunene, nas imediações dos 4 Stop e que se tornaria na maior fornecedora e prestadora de serviços eletrónicos, montagem de redes de computadores, instalação de cablagens e ligações de Internet para empresas, diferenciando-se das demais pelo facto de também oferecer assistência aos seus clientes.

O técnico, agora casado e pai de 4 filhos,  aconselha o Governo a fazer o mesmo gesto que fez com ele aos demais  jovens que tenham espirito de empreendedor na província só desta forma Cunene deixará de ser considerada “terra de  fim do mundo”.

“A gente deve fazer algo para ajudar a província para que ela deixe de ser chamada “terra do fim do mundo e passar a ser chamada terra de oportunidade, mas o governo tem que facilitar créditos aos jovens locais”, apelou.

O jovem empresário está ciente de que com mais investimentos na província o problema do desemprego poderá ser minimizado.

O Engenheiro decidiu empreender em tecnologia, porque é nela que é formado, mas lamenta a falta de clientes.

Quando começou, o jovem engenheiro não tinha um trabalhador sequer, hoje garantir um bom salário aos 10 jovens trabalhadores estudantes da província.

O nome “verdadeiro mundo dos computadores” surge porque o empresário sempre pensou em fazer diferente, revelou.

Como todo empresário, em tempo de crise vê-se obrigado a colocar sua mente aos vários exercícios para conseguir sobreviver, por isso distribui seus produtos via internet para as cidades de Benguela, Lubango, Menongue e deseja expandir também em Luanda.

Para ele, a vontade de almejar Luanda cresce pelo facto de se considerar competente, pois, o Cunene é a província mais complexa de se fazer negócio, entende. “Se consigo sobreviver no Cunene, consigo sobreviver em Luanda”, justificou.

O empreendedor lamenta o facto de o governo provincial só recorrer à sua loja em caso de aquisição por crédito e revela que várias vezes já pensou em fechar seu estabelecimento, mas a vontade de ver seu negócio a crescer terá a progredir alimenta a esperança. Reforçou ainda que há muitos angolanos na vizinha República da Namíbia que têm empreendimentos, mas não aceitam voltar para Angola. “Eu quero ajudar a minha terra. Não faço tanto dinheiro como teria feito noutras províncias”, lamentou.

Diariamente o jovem revelou conseguir vender cerca de 1 milhão de kwanzas, valor que se fosse em Luanda seria maior, mas prefere ter sua sede na sua terra.

O balanço do II trimestre deste ano contabilizou 31 milhões 4024 kwanzas, “algo que grandes empresas não conseguem”, gabou-se.