Por: Neliengue Sancho

Imagem: D.R.


Uma jovem de 25 anos de idade que preferiu omitir sua identidade revelou que teria sido brutalmente violentada, na noite de ontem, domingo, por um senhor de cerca de 40 anos cujo nome a vítima não lembra. Segundo conta, trémula e assustada, o suposto militar, que conduzia uma viatura jeep de cor vermelha fazia táxi (as chamadas Puxadas) na rota Kilamba – Benfica, por volta das 19 horas, sendo ela uma das ocupantes.

Ao se aproximar à paragem do Benfica, a jovem foi abordada pelo motorista que lhe tinha mostrado o passe do serviço da Casa Militar, de quem a jovem confessa não se recordar do nome. “Ele apresentou-se e mostrou o documento militar do serviço. Perguntou onde estava a ir e respondi que ia ao hospital da Vila” explicou visivelmente assustada e com uma respiração acelerada.
Para o espanto da jovem, ao se aproximar à esquadra da polícia do Benfica, o violador começou a chamar uma outra paragem, “antigo controlo”. Surpresa, pediu para descer, uma vez que ela tinha de chegar a unidade hospitalar já referida.
Segundo descreve a vítima, de forma educada, o agressor pediu paciência à jovem “ele disse que ia deixar um valor na irmã que mora no antigo controlo e que depois me levaria ao meu destino e eu aceitei porque o táxi estava difícil, tinha apenas 100 kwanzas no bolso e ele tinha trancado as portas do carro”.
Ainda subiu um passageiro na paragem do Futungo, que ficou na entrada do Embarcadouro, nos arredores da Universidade Independente.
“Quando o moço desceu o militar trancou as portas do carro e levou-me num sítio escuro próximo da praia no antigo controlo. Postos lá, começou a pedir para tocar no meu órgão genital, dizia coisas confusas como: quero te sentir, quero roçar e sentir a quentura. Entrei em pânico”, disse enquanto chorava.
“Minha sorte foi ter que pensar rapidamente  perguntar se ele tinha camisinha”.
A jovem ressaltou que no local havia um outro jovem sentado ao qual o agressor disse que ia pedir preservativos, entretanto, desconfiando que ela teria escapado, o mesmo desligou o carro e antes de sair disse: “fica aqui, vou pedir camisinha e não demoro, cuidado para não fugires porque se te apanho vais-te arrepender”
Parece que o moço não tinha camisinha “e foi, então, em direção ao caminho onde viemos. Como tinha parede de um quintal que impedia ver o carro, naquele momento, peguei na minha pasta, coloquei o chinelo na mão e sem medo pus-me a correr e sem falar com ninguém com medo que ele viesse atrás de mim”, explicou.
Alguns vizinhos da jovem de 25 anos que por pouco teria sido violentada e quiçá, espancada e abandonada, como tem sido em muitos casos, aponta a falta de transportes  públicos e em todos os horários como causa de grande parte destes casos.