Por: Neliengue Sancho
Imagens: Céus Alexandre


Um grupo de seis jovens engenheiros angolanos, motivados pelo surto de Malária e de Febre Amarela no ano passado, desenvolveu o primeiro repelente angolano para mosquitos. Tiveram como base a pesquisa de várias plantas, entre elas a “Cura-tudo”. O invento proposto pela ministra do Ambiente, Fátima Jardim, e contou com o apoio da Universidade Jean Piaget. O produto está armazenado, à espera apenas do aval do Ministério da Saúde.

Fernanda Samuel e Claudina Capapinha, ambas integrantes do grupo que desenvolveu a pesquisa, revelaram à JdB que a ideia surgiu quando em 2016 Angola passou por um momento de surto de Malária e de Febre Amarela que levou muitas famílias aos choros e a eterna saudade de não ter por perto um ente querido.

Segundo as engenheiras, a pesquisa científica teve como base o estudo de sementes com princípios activos naturais contra insectos. Para o efeito, usaram na pesquisa várias plantas, entre elas o Neem, conhecida em Angola como Cura-tudo.

“Os estudos feitos na semente com a qual fizemos o repelente e a semente do ‘Cura-tudo’ mostraram que  a percentagem do activo natural era menor na semente do Neem.

Afinal, foi a ministra do Ambiente, Fátima Jardim, que propôs à Fernanda Samuel, vencedora do prémio Odebrecht para o desenvolvimento sustentável, organizado em 2015, motivada pelo surto de Malária que assolou o país no ano passado onde muita gente perdeu familiares. “A criação de um repelente é a nossa contribuição para ajudar a reduzir a taxa de mortalidade por doenças causadas pela picada do mosquito” salientaram.

“A sua excelência Ministra do Ambiente não ficou alheia quando Angola foi atacada pelo surto da Malária e da Febre Amarela e quis que se fizesse alguma coisa que ajudasse na erradicação das doenças e começou logo a dizer para pesquisar repelentes”, lembrou Fernanda Samuel.
A pesquisa foi feita na Universidade Jean Piaget  de Angola, sob a coordenação do decano daquela instituição, doutor Tana Canda, num período de 1 ano e 2 meses.

As pesquisadoras contaram com o apoio “incondicional”, sublinham, de duas instituições Ministério do Ambiente e a Universidade Jean Piaget de Angola. Mas revelam que ao longo do percurso encontraram vários obstáculos, dentre eles o material, “em Angola o material para elaboração de pesquisas é escasso”. Referem que encontraram dificuldades, inclusive, na elaboração de testes, feitos nos laboratórios e nas famílias que moram nas zonas como Cacuaco, Golfe 2, Projecto Nova Vida e Cazenga, famílias essas que muitas vezes reprovaram o produto, “as pessoas diziam que o produto era tóxico e não demorava na pele e mediante os comentários, a equipa empenhava-se mais com vista a melhorar o mesmo, excluindo a possibilidade de usar a substância DEET que contem nos repelentes convencionais e que, segundo estudos científicos, os mosquitos ganharam anticorpos deste elemento”, desvendaram as jovens.

Até ao momento o produto encontra-se “armazenado” à espera  apenas do aval do Ministério da Saúde, o que preocupa as engenheiras, por não haver uma resposta imediata para ajudar num problema pontual para comercializar o repelente, o primeiro criado por angolanos em Angola com intuito de contribuir na erradicação dos males que afectam milhares de famílias angolanas.

Os seis membros da equipa são formados em Engenharia nas diversas áreas, sendo Fernanda Samuel engenheira de pesquisa e produção de petróleo, formada desde 2015 na Universidade Jean Piaget de Angola, nascida há 24 anos, na província de Benguela.

Claudina Capapinha é engenheira do Ambiente, formada também em 2015 na Universidade Lusófona de Humanidades em Lisboa, Portugal, nascida há 25 anos em Luanda.