Por: Jéssica dos Santos


A associação filantrópica ‘Nova Esperança’, criada há três meses, visa ajudar moradores das ruas da cidade de Luanda, especialmente as crianças mais necessitadas, não focando, por isso, em lares, mas sim nas ruas.

O projecto é uma iniciativa de Mileno dos Santos, que se sentiu comovido por tanta carência entre os moradores das ruas de Luanda, a associação actua nos bairros, nas periferias de Luanda, o foco é criar, consoante o tempo, mais condições de vida para crianças.

O jovem fundador juntou-se a alguns amigos que tinham força de vontade, que gostam de crianças, e começaram a ir para as ruas. Contam num total com 31 membros, sendo 22 efectivos.

“A principio trabalhamos no bairro ’28 de Agosto’, que fica por de trás do Nova Vida, onde ajudamos um total de 100 crianças, fizemos a distribuição de sopas, sumos, e também brincamos com as crianças, porque não dá só para chegar lá, dar a sopa e ir embora, há que ter também aquela parte interactiva, ensinar as crianças, incentivar a ler, a estudar”, explicou Tevanny Pires, membro da associação.

O grupo não trabalha com crianças apenas para criar actividades ou dar donativos, mas também incentivam-nas a estudar “embora que nesses bairros haja crianças que nem estudam por falta de condições, mas estamos a trabalhar na redução da vulnerabilidade social de todas as crianças para que com palestras, algumas visitas em museus, para aumentar conhecimento”, referiu.

Por enquanto a associação trabalha apenas com crianças, mas está a procurar condições para inserir adultos no plano de doações. “Precisamos de apoios, não digo financeiramente, mas, por exemplo, ajudar a meter as crianças nas escolas, acrescentou Mário, outro membro.

As crianças com os jovens trabalham, segundo descrevem, “são pessoas que pensam que nasceram para não ter mesmo nada e sentem-se inferiores, então o pouco que fazemos por eles, já é muito”, referem, “quando fazemos referência a patrocínios é mais apoios, por vezes quando organizamos actividades como a da sopa, precisamos de bebidas, sumos, águas, então precisamos de pessoas que invistam para que tudo corra da melhor maneira possível”.

A Nova Esperança não recebe dinheiro, apenas donativos, como material didáctico, roupas, calçados, alimentos “todo e qualquer dinheiro que esteja envolvido nas nossas actividades e dentro da associação, sai dos nossos próprios bolsos”.

“Nós queremos ser diferentes das outras associações que organizam um evento grande durante um determinado tempo e depois desaparecem”. A organização pretende criar uma perenidade nesta actividade, tendo  começado com combate à fome, que foi a sopa em 9 de Setembro, “agora queremos angariar o maior número de roupas, calçados e material didático”, organizamos sempre um plano de actividades para podermos estar sempre com as crianças, sabendo que somos novos, não podemos imitar o que o resto faz, queremos marcar a diferença”.

O jovens acreditam que numa actividade diferente, “porque trabalhamos mesmo sem fins lucrativos, esperamos nós que com o tempo possamos melhorar naquilo que fazemos”.

“Não viemos para resolver todos os problemas das crianças nos bairros e periferias, mas pelo menos 10% nós vamos tentar fazer e da melhor forma, somos a associação Nova Esperança, e quando se trata de esperança, é para dar oportunidade para muitas crianças”, finalizou Mileno dos Santos.