Texto: Neliengue Sancho


Hoje comemora-se o dia mundial de combate à Tuberculose, data instituída pela Organização Mundial da Saúde, em alusão aos 100 anos do anúncio da descoberta do bacilo causador da tuberculose, ocorrida em 24 de março de 1882, pelo médico Robert Koch. O resdponsável de um dos sanatórios do país afirmou que a maioria dos afectados em Angola está na faixa dos 20 a 30 anos.

Em entrevista à rádio Luanda, na manhã desta sexta-feira, o coordenador do Programa Nacional do Combate a Tuberculose, Ambrósio Dissadidi, referiu que a tuberculose é das principais causas de morte em Angola, considerando-a um problema de saúde pública. Em Angola, de Janeiro até agora, só na província da Huíla, cerca de 70 pacientes morreram desta patologia. No país, sofrem da doença maioritariamente jovens com idades entre 20 e 30 anos, revelou também na mesma entrevista o responsável do hospital provincial sanatório do Lubango, Isabel Canepa, por consumir bebidas alcoólicas quentes constantemente.

João Chiwana, director clínico do hospital sanatório de Luanda, confirmou ontem à Angop que mais de 500 casos por mês são diagnosticados e lamentou o facto de muitos dos pacientes não terminarem o tratamento, o que tem dificultado a meta de cura do Governo na ordem dos 80%.

“Unir para acabar com a tuberculose não deixando  ninguém de fora” é o lema deste ano que constitui chamada de atenção aos  governos e a sociedade civil, para os cuidados que todos devem ter face à doença.

Em 2013 Angola teve cinquenta e seis mil e setecentos e dezasseis casos de TB e este número subiu para 2 mil casos em 2014.

Segundo Damião Viriato, médico especialista em pneumonia, disse durante um workshop em alusão à data que este ano o número tende aumentar.

Novo estudo de combate à Tuberculose com  mais eficácia

Um estudo feito por investigadores portugueses, em que foram submetidos 100 doentes diagnosticados com tuberculose do Hospital da Divina Providência, em Luanda, definiram o perfil genético das estirpes da bactéria da tuberculose em circulação na capital, o que permitirá o controlo das formas multirresistentes da infecção aos antibióticos.

“Das 89 bactérias isoladas destes doentes 4,5%, uma taxa considerada moderada, tinham um perfil de resistência múltipla (MDR-TB) ou seja resistência a pelo menos dois dos mais importantes fármacos utilizados no tratamento de primeira linha da tuberculose (isoniazida e rifampicina)”, refere o estudo.

Os doentes infectados com aquele tipo de bactéria a “taxa de sucesso terapêutico é baixa (menos de 50 por cento) ” e a “taxa de mortalidade é bastante elevada (cerca de 20 por cento)”.

“Este estudo constituirá uma base de trabalho para a monitorização e controlo da tuberculose multirresistente em Angola”, referiu, num texto enviado à Lusa, Nuno Taveira, um dos investigadores da faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

Segundo o relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado recentemente indica que Angola está entre os 20 países com maior incidência de tuberculose no mundo.

No país, estimam-se 93 mil novos casos de tuberculose em 2015 (uma taxa de 370 em cada 100 mil), dos quais 28 mil são VIH positivos (30 por cento) e 4.100 são casos de tuberculose multirresistente.