Por: Adalmira Ekuikui


As jovens Emanuela Svetlana Pinheiro, de 23 anos, licenciada em Economia e Beatriz Lukamba de 29, licenciada em Psicologia Criminal, criaram em 2014 uma página na rede social Instagram para incentivo aos hábitos de leitura. A página, com mais de 32 mil seguidores, chama-se ‘Amo Leitura’, onde são dadas dicas de leitura e resumo de livros.

Emanuela Svetlana Pinheiro e Beatriz Lukamba leram nos últimos anos mais de 80 livros, dos mais variados géneros e autores, afirmam com alguma propriedade, fruto dos livros que constam das suas bibliotecas, quer de autores nacionais bem como internacionais, que os escritores angolanos não apresentam nos seus livros criatividade nas histórias, o que torna muitas vezes a leitura aborrecida. Entendem que a narrativa dos personagens e cenários precisam ser melhorados.

A página ‘Amo Leitura’, do Instagram, criada a 20 de Abril de 2014, tem o rosto de Beatriz e Emanuela, nela as jovens procuram dar dicas de leitura e fazer resumo dos livros já lidos. Conta atcualmente com 32 mil seguidores. E nos treze anos de partilha de histórias descritas em forma de letras pelos escritores, as nossas entrevistadas sentem que o objectivo da criação da página ‘Amo Leitura’ foi alcançada, “em função do feedback que temos recebido por parte dos nossos seguidores. As nossas resenhas são como cartões de visitas, o que faz com que saibamos que não estamos a ler somente para nós, mas para umas trinta e tal mil pessoas”, disseram.

‘Amo Leitura’ não tem necessariamente um grupo alvo, mas ao que tudo indica são maioritariamente os jovens que consultam, com intuito de saber das resenhas dos livros, locais de venda e muitas vezes o valor dos mesmos. Ao entenderem que o interesse dos jovens pela leitura ainda é muito limitado, tiveram a ideia de partilhar com os seguidores e aos poucos vão percebendo que muitos jovens começam a ganhar gosto por leitura.

Numa altura em que as redes sociais dominam o mundo e acabam por preencher parte do tempo dos jovens e não só, Emanuela procura conciliar o seu tempo porque entende que as redes sociais carregam consigo vantagens que inclui a transmissão do que se aprende nos livros e a influenciar aos demais, “existem ainda nas redes fontes de ajuda literária, escritores que expõem as suas obras, poetas e bloggers. No entanto os jovens muitas vezes aprisionam-se a ponto de realçar mais as desvantagens.”, considera. Alerta ser “importante que saibam gerir melhor o seu tempo e rever as prioridades. Se pararem por um instante e prestarem ao universo literário verão que é tão interessante quanto aos demais”, recomenda.

A falta de divisas tem dificultado “bastante” a compra de livros das leitoras, isso porque a aquisição dos mesmos é feita em países como Portugal e Brasil. “A variedade dos livros nacionais ainda é muito limitada, o que nos leva a preferência pelos livros estrangeiros e que são ainda mais difíceis de adquirir”, revela uma. Recomendam que as livrarias e editoras deviam prestar mais atenção aos lançamentos mundiais, “sairiam a ganhar”. “Por outra, existem poucas bibliotecas e livrarias. Os preços cá na cidade de Luanda são altos de mais, mas quem não tem alternativas, lembra-se do custo de oportunidade, abdica de uma festa para adquirir um bom livro”.

O gosto pela leitura é muitas vezes cultivado e outras motivadas pelo tempo, no caso de Beatriz, ler é um hábito que carrega consigo desde a adolescência, mas que com maior intensidade foi-se tornando um vício desde 2008, depois de ter lido a saga do Diário dos Vampiros. Para que um livro a chame atenção, o título do livro precisa ser convidativo, diz. Ao passo que Emanuela defende que o gosto pela leitura pode ser cultivado a qualquer momento da vida, basta que o livro tenha uma sinopse interessante, detalhes como a capa, o tom da folha, diagramação, são itens essenciais para se sentir atraída por um livro, que ao serem conservados tornam-se “mais apaixonantes, os livros têm um perfume único”, considera.

As jovens apontam como benefícios da leitura a possibilidade de conquistar uma alegria plena e encontrar esperanças num navio sob tempestade, “um livro torna as pessoas humanas”, consideram. Escritores como Dan Brown, Gayle Formam, Elizabeth Chandler, Danielle Stell Paula Hawkins e Fawzia Koffi destacam-se no meio dos variados géneros e gostos literários de escritores que Emanuela leu. Beatriz elege como género literário favorito o policial mas não obstante a isso vai lendo de tudo um pouco. Sidney Sheldon e James Peterson são os escritores favoritos da jovem formada em Psicologia Criminal.

“Existe morte ao nosso redor. Em todos os lugares para onde olhamos. Pessoas matam-se a cada segundo. Só não prestamos atenção. Até começarmos a notar” Cynthia Habd. Passagem extraída do mais recente livro lido por Emanuela. “É mais do que uma frase é um alerta global, é importante que as pessoas tenham noção disso”, refere.

Sobre a possibilidade de algum dia lançar um livro, Beatriz  só espera pela coragem, asegura, “quem sabe um dia destes eu ganhe coragem e lance um livro”.

Dos vários livros que leram, das personagens em que se reviram e viveram de forma profunda, das inúmeras histórias reais ou não que aprenderam a admirar, leva as nossas entrevistadas a concluírem que os “livros são os melhores portais de viagens de sempre”. Emanuela Pinheiro e Beatriz Lukamba.