Por: Lourenço Mussango


O novo trio artístico, denominado Los Barbudoz, formado pelos músicos Bona Ska, Denis e Cirius, segundo este último, é descrito como uma experiência onde três pólos sincronizam-se.  É um grupo composto por três energias de diferentes intensidades mas com o mesmo amor pela arte e a vida que as rodeia. Além do objectivo de mudar mentes e gostos com a arte que faz, tem como foco privilegiar a palavra falada transmitida por meio da música e do spoken word.

Los Barbudoz garantem aos amantes de boa música que além de apresentarem seus temas musicais, passaram a interpretar músicos como Rui e André Mingas e Valdemar Bastos. Os géneros ou estilos serão inconstantes. Entre a Bossa-Nova, Afro-Jazz e Reggae, algumas fusões nascerão. “Os estilos fluem com a performance. A experiência consiste também juntar tendências e conceitos. É tudo novo, sempre”, observou Cirius.

Bona Ska fez saber que o objectivo do Los Barbudoz transcende o mero entretenimento. Para este, a sua poesia ou música traz um conteúdo bem mais cuidado e trabalhado, que poderá levar os ouvintes à reflexão. Para Cirius, a ideia a ser transmitida com o grupo “talvez seja de que todo mundo pode ser uma estrela, mas juntos, constelações são criadas”, seguiu dizendo que “a amizade devia ser uma forma de expansão da cura”.

A barba, neste grupo, surge como uma “arma” de protesto contra o preconceito e os estereótipos que se criaram à volta da imagem. E ao mesmo tempo surge como um “acessório” identitário de afirmação da personalidade artística.   “É importante transcender a imagem: a aparência. As pessoas devem deixar de pensar que o jovem barbudo é um criminoso por ter barba enormeNão devo ser visto como um desempregado pelo facto de ter muito cabelo”, advertiu Bona Ska.

“Durante muito tempo, a forma como o homem africano se expressa com o corpo tem sido alvo de muita falta de respeito e humanidade. Uma barba é uma barba, tal como uma calça é uma calça. As nossas barbas são apenas isso: barbas expressivas de personalidades expressivas…O mundo precisa ver as pessoas pelo que são e não como se apresentam”, Cirius observou.

Embora a diferença seja uma ameaça numa sociedade onde quem pensa e se apresenta de forma diferente é marginalizado, o grupo Los Barbudoz tenciona mudar mentes e gostos com a arte que faz.  “Um dos objectivos deste grupo é também mostrarmos que somos seres evolutivos e multifacetados. As pessoas podem evoluir se criarmos condições para o efeito”, Bona Ska sublinhou.

A diferença é uma ameaçaTodo pensamento externo ao sistema apresenta-se como um vírus, então somos uma espécie bacteriana que procura viver sem muitos pedrões…É só mudar a perspectiva que a positividade toma conta”, Cirius seguiu dizendo que a ideia é mudar mentalidades e despertar consciências.

Danis reiterou que existem jovens que têm feito em prol da cultura nacional. E segundo ele,  o Los Barbudoz não foge à regra, é um grupo que surge para fomentar música nacional. “Desejamos que a nossa música seja mais apreciada e valorizada. A ideia é influenciar outros jovens a reflectirem a nossa cultura”, terminou dizendo.