Texto: Adalmira Ekuikui


Dois estudantes da Universidade Católica de Angola criaram uma linha de distribuição de refeição com aconselhamento de nutrição para universidades, o projecto chama-se ‘Delivery Food’, de momento ainda está confinado na UCAN, mas pretendem expandir em todas as universidades. Para os estudantes o prato é vendido a 500 kwanzas, e para outros são mil.

Ermelinda Nsenga Mia-Veta, de 23 anos, estudante de Nutrição e João Victor Manuel, de 23, estudante do curso de Engenharia de Petróleo, ambos da Universidade Católica de Angola, criaram a ‘Delivery Food’, uma linha de distribuição de refeição em  universidades, com aconselhamento de nutrição.  

Segundo Ermelinda, o projecto surgiu de uma conversa com o presidente da associação dos estudantes da Universidade Católica de Angola, que propôs aos estudantes de Nutrição a criação de um espaço onde se confeccionasse e servissem alimentos saudáveis e a um preço acessível, “e daí falei com o meu sócio Victor e no final foi só amadurecermos a ideia e materializar”. O principal objetivo é dar ao cliente uma alimentação saudável e durante as entregas são dados aconselhamentos nutricionais, continua a mentora.

As motivações da criação da linha de distribuição alimentar, segundo Ermelinda, é a de possibilitar as pessoas a comprarem uma refeição condigna, saudável, apropriada e com qualidade, “as pessoas preferem comer algo barato, no caso os fast food, por serem rápidos e algumas vezes acessiveis , mas eu como estudante de Nutrição sei que isso não é saudável”, refere. Por outra, a nossa entrevistada entende que apesar de algumas pessoas gozarem de uma vida económica aceitável para ter uma refeição condigna, elas optam por se concentrar apenas no trabalho e acabam por ficar sem uma refeição, no caso o almoço e limitam-se a alimentarem-se de comidas rápidas. É uma experiência que a jovem diz ter vivido durante a sua formação.

Como qualquer projecto, inicialmente enfrenta dificuldades, com a Delivery Food não está a ser diferente, a estudante aponta como principais obstáculos enfrentados nestes primeiros momentos (um mês ainda) a aceitação por parte das pessoas, “as pessoas não nos conhecem e é muito difícil termos a confiança delas, a outra dificuldade é o deslocamento porque nós fazemos entregas e fazer a gerência do tempo tornou-se tarefa essencial”, observa.

Um dos objectivos a longo-prazo dos jovens empreendedores, revela, é expandir a Delivery Food, tornando-a numa marca nacional de referência.

O projeto conta com 4 funcionários, dois fazem as entregas. Actualmente as entregas de alimentação são feitas somente nos arredores da Universidade Católica, por ser ainda pequeno, carece de expansão, desejam  distribuir refeições em várias universidades, “de modo que todos os estudantes tenham a oportunidade de ter um almoço digno, saudável e barato”. 

500 kwanzas por refeição

A Delivery Food varia o menu diariamente, mas para cada refeição o valor cobrado é permanente, que são 500 kwanzas. O plano estudantil,  a refere a mentora, abrange todos os estudantes, “tivemos em consideração questão de que nem todo o estudante tem a possibilidade de gastar diariamente mil kwanzas numa refeição”, “o estudante opta sempre pelo barato e rápido”, acrescenta. “Qualquer um terá oportunidade de ter um almoço com apenas 500 kwanzas”.

Por cada distribuição de refeição, serão distribuídos cartões de visitas “os cartões terão um limite aonde todo estudante que tiver comprado mais de dez refeições terá oportunidade de levar a 11.ª refeição de borla”, garante. Mas em casos de requisição dos serviços de distribuição alimentar fora das universidades, o valor cobrado são mil kwanzas, “maioritariamente são requisitados por trabalhadores e eles conseguem suprir esse valor, em função do trabalho, o que não acontece com o estudante universitário, por causa dos gastos diários em fascículos, cópias e tantos outros”.

Ermelinda é estudante do 5.º ano de Nutrição, aproveita-se do conhecimento para garantir uma acção nobre e mais-valia no negócio, já que, assegura, o facto de ser estuante de nutrição influencia na maneira de confecionar os alimentos, entretanto, apesar dos alimentos não serem cozinhados por ela, a pessoa contratada para fazê-lo tem uma larga experiência em conceitos de saúde nutricional “como nutricionista a minha função é de organizar e manter as questões de higiene, propriedade dos nutrientes nos alimentos e o tempo de cozedura”.

O aconselhamento nutricional é, de resto, dos pontos diferenciais que os novos empreendedores encontraram, e em jeito de dar vazão a formação de Ermelinda. A consulta é feita de acordo a rotina de cada um e em cada refeição procura-se manter o equilíbrio nas propriedades que vão constar nos alimentos e com base nisso, “eu vou aconselhando os colegas que me venham solicitar, para que tenham uma alimentação regrada”, diz e justifica que nem todos têm possibilidade de ter as três refeições diárias, o pequeno-almoço e o jantar, mesmo sabendo que o aconselhável é que se faça seis refeições diárias, o pequeno-almoço, o matabicho, a merenda, o almoço, o jantar e no final do dia a ceia. “Mas faço sempre um esforço de aconselhar o cliente de acordo a sua rotina, para que se mantenha o básico e consequentemente uma vida equilibrada e saudável aliada a prática de exercícios físicos e ingestão de sumos naturais e evitando bebidas gaseificada”.