Sou paisagem vista e interpretada de várias formas. Sou mulher. Não admira nada que me chamem mulher.

 Sou julgada pelas curvas marcadas no meu vestido e desejada nua pelas calças que visitam os espaços que me cobrem.

 A minha saia acima do joelho é interpretada como um convite elaborado a mão, cujo destino final é a cama. Compram-me por míseros kwanzas e não entendem que eu me faço de dólares existentes somente dentro de mim.

 À minha volta, a natureza faz-se coberta de rosas, e nessa mistura toda, talvez essa seja a única com quem eu queira ser comparada. Se me poderes compreender nessa vertente, então a minha vista será favorável para ti.

 Não me diminuas a um simples decote, é desses seios que te fizeste homem. Não me reduzas a uns calções curtos, as ocasiões não definem o meu género.

 Os meus lábios carregados com batom vermelho representam a sensualidade interiorizada, carregados ou não, a tua parede não é com certeza o destino para a minha cor. Não me comas com um olhar, pode se revelar amargo o meu sabor.

Eu me cubro das interpretações que vestem o meu género, se meus braços servirem como um arco curvado em sentido daquilo que quero como privado, então verei neles um pano a preservar.