Texto: Jéssica dos santos


Lando Samuel Ndombele, artisticamente conhecido como Landrick, cantor da produtora ‘Bom Som’ esteve na redacção da JdB para para partilhar um pouco do seu percurso no mundo da música. O  sucesso do jovem do musseque (Cazenga), que hoje brilha em grandes asfaltos e além-fronteiras, explodiu a partir da Namíbia com uma música que quase não saía por ter gasto o dinheiro da produção com outras coisas.

O menino do Cazenga, município de Luanda onde também fez o seu ensino de base, viu-se forçado a deixar o musseque por vários motivos dentre eles a prossecução dos estudos, passou pelo Sambizanga e fez o ensino médio no Instituto Médio Industrial ‘Macarenco’, e depois não vacilou da oportunidade de se formar no estrangeiro, deu continuidade na Namíbia.

Foi através de uma música executada nesse país de Sam Nujoma que “explodiu”, “fez muito sucesso” segundo o cantor, o que lhe valeu, consequentemente, convites para fazer shows em Portugal, e ficou por lá quase 2 anos.

Para quem pense que o nome é um mero capricho artístico está enganado, ‘Landrick’ foi mesmo dado pelos pais e o próprio gostou de tal sorte que o transportou para codinome artístico.

Arte foi-lhe descoberta mesmo no seio familiar, sempre foi apaixonado pela música e teve como inspiração durante muito tempo o cantor Michael Jackson e outros que foi bebendo ao longo do tempo.

Os tios ouviam-no a cantar e elogiavam-no, certa vez pediram para fazer um coro para a música deles, já que os mesmos eram rappers, foi a primeira vez de Landrick num estúdio e desde então a sua paixão por fazer coros aumentou.

Aperfeiçoou o gosto pela música, Kizomba não foi desde sempre sua maior paixão, visto gostava muito do astro Michael Jackson, os seus gostos estavam virados para  Pop e RnB.

Mais tarde, além do britânico Craig David, começou a ganhar influências mais internas como a Matias Damásio, Anselmo Ralph, Yuri da Cunha, e muitos outros.

Nunca se esquece de referenciar das “bênçãos” que tem tido como cantor, o carinho do publico… referiu que pode pisar palcos de fora, conforme, aliás, o faz normalmente pelo sucesso, mas em Angola, sublinha que “tem um sabor diferente”, sem desvalorizar os palcos internacionais dos quais já actuou, pois “é sempre bom ter reconhecimento internacional”.

Landrick também acredita que em Angola já se pode viver da música, como no seu caso, e enfatizou que a música é seu trabalho, profissão. Com o que ganha da música pretende fazer muito mais e para isso tem estado a trabalhar duro. Embora tenha admitido ser “difícil, mas com seriedade e saber gerir é possível viver da música”. “Para viver da música é necessário semear aquilo que se ganha, saber gerir os ganhos e fazer sempre coisas que de certa forma vão multiplicando”, partilha.

Antes da ‘Bom Som’, no que diz respeito a organização, sempre trabalhou com um grupo de amigos, para os quais deixa um forte abraço e confessa que se sente “muito agradecido” por ter conhecido essas pessoas, que sempre estenderam a mão e o ajudaram o “sobressair da aventura” (risos).

Agarrar no hum…

Por de trás do grande sucesso de Landrick “Me agarra só no hum” há uma grande história. O processo de masterização e tudo mais foi feita graças a um amigo do cantor, Wayne Favel, que sempre esteve com ele, tirou da sua mesada dinheiro para pagar o engenheiro de som para masterizar a música, mas o cantor gastou o dinheiro com outras coisas e viu-se obrigado a inventar uma desculpa (risos), o amigo deu novamente, mesmo não sendo fácil visto que na época eram todos estudantes, “quem tira do pouco da sua mesada para estender a mão ao seu amigo, é um gesto realmente de louvar”, reconhece. O cantor confessou que nada que ganha hoje pode pagar esse gesto que o seu amigo Wayne Favel fez por ele.

Trabalhar com a Bom Som, segundo frisou, tem sido “muito bom”,  pois já fazia parte do seu sonho ter uma equipa que o pudesse ajudar nos seus objectivos “e realmente tem sido uma bênção trabalhar com a produtora”, com o seu CEO, Anselmo Ralph que admira muito.

O cantor aproveitou para felicitar  aos artistas que têm dado o seu contributo para engrandecer a música angolana e sente-se feliz por também de certa forma levar a música angolana para fora, cantar para outros povos, sentir que eles ficam também felizes em ouvi-lo.

A participação nas músicas de vários cantores da praça angolana e não só representam para o músico “reconhecimento do trabalho que tem estado a desenvolver” e sente-se “muito feliz” cada vez que recebe um convite, “isso significa que há um trabalho bom” que tem estado a fazer, sente-se abençoado e privilegiado por fazer colaborações de sucesso que por sinal muita gente gosta, pelo que agradece aos fãs por gostarem do seu trabalho.

Este ano Landrick pretende lançar o seu primeiro álbum, segundo ele “está mais do que na hora”, o cantor está em estúdio, a cozinhar “com muito amor e carinho” ( risos). Garante que será um álbum em que as pessoas poderão saber mais sobre as historias de amor, trajetória “muita coisa boa”.